O conceito de “fusing” e o nosso Clube de Artes

É um termo muito comum hoje em dia que mantém o significado original que a língua inglesa lhe dá e que podemos traduzir em português por “fusão”. O “fusing” chegou a várias áreas, desde a arte de trabalhar o vidro, à arte urbana, à gastronomia, à organização de espectáculos culturais, entre outros. A ideia principal consiste na fusão de estilos, de materiais e de tendências.

Aliciante, como conceito artístico, não é verdade? Gostarias de apanhar este barco?

Escultura em Flor

Peça de exposição de: http://carmem-seibert.blogspot.pt/

Entre nós, o Clube de Artes, promove mais uma vez sessões de aprendizagem da técnica do fusing a partir de vidro e de outros materiais, posteriormente pintados e reciclados para terem uma nova vida, uma nova utilização.

Por isso, se gostas de explorar o teu lado artístico e queres conhecer a Arte do Fusing,  não percas mais tempo e inscreve-te já no CRE (Biblioteca)  ou no pavilhão A.

Trabalhos realizados pelo Clube no ano transato

A tua criatividade transformará um simples vidro plano, tosco e sem brilho, em algo mágico! Brincos, pulseiras, fios, pratos, colheres, esculturas, flores, o vidro com nova vida.

Fusing é Arte, mas também é sensibilidade, estética e imaginação. Experimenta!

Vem daí e junta-te ao Clube!

Clássicos em rede

Clássicos em rede

Clássicos em rede é um programa de atividades para alunos dos ensinos básico e secundário, com o objetivo de aumentar os seus conhecimentos sobre a Cultura Clássica e, sobretudo, levá-los a descobrir a sua presença na atualidade: na língua e etimologia, na herança patrimonial, nos modelos estéticos e na arte, no imaginário coletivo, no ideário que está na base das nossas sociedades e em tantos outras áreas.

Este programa é desenvolvido, em parceria, pela Rede de Bibliotecas Escolares, pelo Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CEC-FLUL) e pelas autoras do projeto Olimpvs.net.

O projeto desenvolve-se em três linhas de atividade:

Olimpíadas

 

Reucursos
Brevemente
Sessões de exploração

As Olimpíadas da Cultura Clássica são um concurso dirigido aos estudantes dos ensinos básico e secundário. Pretende-se estimular o conhecimento e a curiosidade com desafios que apelam à escrita, à expressão artística e ao domínio de ferramentas digitais.

Temas

No ano letivo de 2017/18 os temas são:
• Ulisses e Penélope
• Minotauro e o labirinto
• Zeus e os Jogos Olímpicos

Níveis etários

Serão realizados desafios em 3 níveis etários:
• Escalão A – 4.º ano do 1.º ciclo e 2.º ciclo do Ensino Básico
• Escalão B – 3.º ciclo do Ensino básico
• Escalão C – Ensino Secundário

Tipo e conteúdo dos desafios

Para cada um dos níveis etários existirão dois tipos de desafios:
• Desafio de artes/ multimédia
• Desafio escrito

No desafio de artes/ multimédia, os alunos são livres de apresentar qualquer trabalho sobre um dos três temas definidos para 2017/18. Serão admitidos trabalhos em qualquer formato, técnica ou suporte:

 Cartaz
 Banda desenhada
 Fotografia
 Filme
 Blogue
 App
 Música
 …

No desafio escrito, os enunciados são elaborados pela Comissão Organizadora e aprovados pela Comissão Científica.

Cada desafio escrito (de acordo com o nível etário) consistirá num conjunto de questões e/ou propostas de elaboração de textos, dentro das seguintes possibilidades:
 Elaboração de uma entrevista/ reportagem (ficcionada) com um personagem da Cultura Clássica
 Recriação de um mito clássico com elaboração de um final alternativo ao da narrativa ‘consagrada’
 Produção de um texto livre em duas línguas, sendo uma delas, obrigatoriamente, uma língua românica (português, espanhol, francês, etc.) e a segunda românica ou não.
 Produção de um texto de opinião/ argumentação partindo de um tema de Cultura Clássica
 Organização, por ordem lógica/ sequencial, de um conjunto de imagens que compõem uma narrativa
 Preenchimento de um quadro de etimologia em múltiplas línguas

Modalidades de participação

Dentro de cada um dos níveis referidos é admitida a participação em duas modalidades:
• Individual
• Coletiva

Na modalidade coletiva os grupos terão no máximo 4 elementos.

Cada aluno poderá participar em ambas as provas (escrita e artes/ multimédia) ou apenas numa.

Na prova escrita a participação é obrigatoriamente individual. Na prova de artes/ multimédia são admitidas participações nas modalidades individual e coletiva.

Quadro resumo das modalidades de participação:

  Escalão   Anos de escolaridade   Desafio escrito   Desafio artes/ multimédia
  A   4.º, 5.º e 6.º   Individual   Individual ou em grupo
  B   7.º, 8.º e 9.º   Individual   Individual ou em grupo
  C   10.º, 11.º e 12.º   Individual   Individual ou em grupo

Inscrições

As inscrições nas Olimpíadas fazem-se mediante o preenchimento do formulário disponível aqui >>.


 
in Blogue da RBE: http://rbe.mec.pt/np4/2004.html

 

 

Lisboa Gaming Week

lisboagamesweek

Entre 16 e 19 de novembro terá lugar na FIL (Parque das Nações), em Lisboa, a 3ª edição do Lisboa Games Week, o maior encontro de jogos da Europa.

Neste evento, que conta com a presença dos líderes da indústria mundial de gaming, as atividades são quase infindáveis. Desde torneios e simuladores a jogos retro, concursos de cosplay e, até, um espaço família para que todos possam desfrutar ao máximo deste grande evento.

Nada irá faltar aos visitantes que poderão ainda contar com a presença dos seus youtubers favoritos e ficar a par de todas as novidades do mercado gaming, com destaque para o lançamento dos títulos mais aguardados em 2016 e antestreias para 2017.

Os bilhetes podem ser comprados na Fnac e na Worten ou on line no link:

https://lisboagamesweek.pt/
INSCRIÇÕES PARA VISITAS DE ESTUDO

 

Sondagem: o que acha(s) do 100Letras?

 

sondagem

Numa época em que tudo é mensurável e previsível, numa momento em que as sondagens fazem parte do nosso dia a dia, pedimos aos nossos leitores habituais que nos ajudem a melhorar, seja através do preenchimento do inquérito abaixo, seja através de sugestões no espaço dos comentários.

Com esta pequena sondagem (válida por uma semana a contar de hoje), queremos conhecer a imagem que o jornal tem junto de quem o lê e conhece bem, com o objetivo de continuar a dar conta dos momentos principais da vida desta escola e da sua comunidade educativa.

Ajudem-nos a fazê-lo melhor!

 

 

Os nossos agradecimentos por colaborar!

 

 

 

 

 

Outubro, mês das Bibliotecas

 imagensdoclaustro.wordpress.com (2)
Concurso – “DOCUMENTA-TE” – 3º ciclo e Secundário
 
As nossas Bibliotecas são centros de documentação e memória: espaços de preservação e de salvaguarda do património documental da escola, do património literário, artístico e cultural da língua portuguesa, das obras mais notáveis da humanidade em todos os campos do saber e, por vezes, da nossa identidade institucional. 
 
Sem a memória dos nossos escritores, sem a memória de todos os artistas e pensadores que contribuíram para a evolução do conhecimento, ficaríamos imensamente pobres. Seria preciso construir tudo de novo. Seria preciso trilharmos um caminho de ignorância, de dúvidas e de dificuldades. Sem o passado, como poderíamos conhecer o presente para construir o futuro?
 
Por isso, a Biblioteca convida-te a descobrir o excecional património da humanidade registado nos livros.
 
Para tal, basta aderires à nossa proposta, um concurso que promove a pesquisa em formato livro e a descoberta das obras de referência de que a BE dispõe nos mais diversificados domínios.
 
Ao participares, podes melhorar os teus resultados académicos e ainda por cima, só pelo facto de participares, recebes ofertas em material escolar.
 
Assim, descobre um livro na BE e explora-o para perceberes o seu potencial em termos das tuas aprendizagens curriculares de qualquer uma das disciplinas do teu curso.
 
Seguidamente, escreve um texto expositivo sobre esse livro (máximo duas folhas A4 com 30 linhas – mínimo uma folha A4 com 20 linhas) sem te esqueceres de incluir uma parte argumentativa no final, onde advogues a importância da obra para o nosso património documental e para a construção do conhecimento.
No ato de entrega (até ao dia 5 de janeiro de 2018) recebes um brinde simbólico. Se o teu trabalho for considerado o melhor, receberás um prémio no valor de 30 euros em material escolar.
 
Documenta-te e contribui para o conhecimento do nosso património documental!
 
Bibliotecas do Agrupamento de Escolas Leal da Câmara
 

Promoção do Sucesso Educativo em Sintra

empowernement

 

A Câmara Municipal de Sintra promoveu hoje, no Centro Cultural Olga Cadaval, um encontro sobre a promoção do sucesso educativo, durante o qual apresentou um modelo de intervenção para Sintra, o projeto “Planos Inovadores de Combate ao Insucesso Escolar no Concelho de Sintra”, cuja candidatura ao Programa Operacional Regional de Lisboa 2020 representa um investimento valor global de 1.953.783,46 €.

A verba envolvida, conforme apresentaram os oradores da sessão de abertura, o Secretário de Estado da Educação, João Costa e o Presidente da Câmara Basílio Horta,  conta com uma taxa máxima de comparticipação comunitária (Fundo Social Europeu) até 50%, sendo os restantes 50% da responsabilidade do Município. O programa, que terá execução durante 36 meses, segue uma lógica de envolvimento da comunidade, através de um processo participativo e de um conjunto de ações que promovem o desenvolvimento de planos inovadores de combate ao insucesso escolar em todos os Agrupamentos de Escolas e Escola Secundária da rede pública do concelho de Sintra. Estas instituições foram agrupadas em cinco zonas, em função das características e das necessidades de cada comunidade.

A intervenção vai ocorrer em complementaridade com os planos de melhoria dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP) ou os planos de ação candidatados no âmbito do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE) do Ministério da Educação.

A palavra-chave das intervenções foi “empowernment” que foi traduzida como “empoderamento” e como “capacitação”. Na realidade, a palavra inglesa refere-se à potencialização de recursos comunitários para que a intervenção seja com a comunidade e não para a comunidade. É que existe uma diferença fundamental no uso de uma simples preposição.

Ana Isabel F.

A receção aos novos alunos com música, teatro e poesia

 

lucinda

Em cada ano letivo, as escolas organizam-se em função de um certo número de regras, registadas em despachos, diplomas e projetos-lei, contingências burocráticas que são iguais para todos os estabelecimentos públicos, o que não faz delas instituições simétricas. Muito pelo contrário, existem diferenças que definem a especificidade de cada organização, feita de pessoas e para pessoas. E são estas que imprimem a diferença.

Assim, o ano letivo na escola pública (desconheço como é nas privadas) começa com um conjunto de decisões organizativas que, sendo elas também administrativas, são decorrentes da filosofia educativa de quem nela trabalha, algo que vem do passado e do presente e que constitui esse residual a que se chama tradição, quase consuetudinal, que reflete a filosofia da organização.

São pequenas grandes coisas, visíveis, por exemplo, na forma como os alunos são recebidos. Não se trata de um esforço de integração, nem de inclusão, que estes são processos lentos de doação recíproca. É simplesmente o respeito pelo que sente o outro, porque a chegada de novos alunos traz esse mistério iniciático da novidade de quem visita pela primeira vez um lugar novo que sabe vir a ser o seu. Trata-se apenas de tornar esse impacto menor e mais motivador. Receção: acolhimento, aceitação, passagem de um testemunho que abre a nova idade, o novo ciclo, o novo espaço e todas as descobertas e vivências que a nova escola traz.

É por isso que se fazem receções aos alunos e aos pais. Visitas à escola, bar, biblioteca, sala de estudo, papelaria. Alunos mais velhos que apadrinham outros, professores que apresentam os seus clubes, como se a escola fosse um espaço aberto e amplamente novo. E é essa frescura que podemos oferecer, que temos obrigação de oferecer o ano inteiro.

No Agrupamento onde trabalhamos, as receções são celebradas com as palavras de quem acredita que a escola é o melhor lugar para uma criança ou um jovem crescerem. Têm música, teatro e poesia. E haverá melhor maneira de começar?

As palavras do Diretor são precisas e necessárias. A música é sobre o sonho. O texto da Subdiretora Lucinda Santos, que abaixo se publica, aflora a capacidade de continuar a acreditar nele, sempre.

O teatro foi proporcionado pelo Grupo Reticências que, mais uma vez, nos brindou com uma magnífica atuação, cujo final resume toda as doutrinas sobre a missão da escola:

“No fundo, quando eu for grande / sem que isso seja um insulto / o que eu acho que vou ser / afinal é mesmo adulto.”
José Jorge Letria, O que eu quero ser

«Nós somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos».

A capacidade de sonhar é intrínseca à condição humana. Sem sonhos o que seríamos nós? Muito pouco…  para não dizer quase nada… ou… para não dizer mesmo nada. Sem sonhos não seríamos nada, nada mesmo, porque, decerto, não procuraríamos crescer e melhorar.

São os sonhos que humanizam o homem e que dão sentido e colorido à sua vida, o impulsionam para a ação e o fazem crescer e realizar-se em várias dimensões.

Sempre no sentido da melhoria do seu potencial humano, sempre no sentido de uma dimensão construtiva da pessoa, porque o sonho não se pode dissociar da ideia de bem. Seria impensável dissociar o sonho da ideia de bem.

Todos nós temos sonhos ,,, À nossa medida … Os sonhos só fazem sentido se forem à nossa medida, à medida do que somos como seres humanos, à medida das coisas em que acreditamos e pelas quais temos vontade de lutar…

O homem é do tamanho do seu sonho, disse Fernando Pessoa. Os nossos alunos que estão aqui também serão e agirão à medida dos sonhos que trazem com eles e que a Escola irá ajudar a concretizar. A concretizar os sonhos que trazem e a impulsionar os sonhos que levarão consigo quando saírem daqui.

A concretização de um sonho acaba inevitavelmente por conduzir à criação de outro sonho.

O percurso escolar e o percurso de vida são inevitavelmente marcados pelo sonho. «Pelo sonho é que vamos»…  «Pelo sonho é que somos»… «O sonho é uma constante da vida»…

                                                                                                                                                                                                                      Lucinda Santos

 

O 100Letras, edição da rentrée

cropped-sem-tc3adtulo.png

Em sinal de boas-vindas, no dia 5 de setembro, dia da reunião geral de professores, o 100Letras foi distribuído por todos, tanto docentes como funcionários, ainda com a tinta fresca das novidades que o ano letivo nos traz.

Ainda não é tarde para o ler aqui na versão pdf.  Fica para assinalar o que significou agosto, mês em que a escola não parou, e o que significa este setembro que todos estimamos anuncie um ano letivo jovial e muito produtivo.

Jornal Edição de Setembro

Boa leitura!

A Redação

As pedras que nos sobrevivem

 

alentejo-safara-1986

Alentejo – Safara – 1986

 

É estranho estarmos num lugar – o mesmo lugar – e ele já não ser o mesmo. Verificamos que a matéria permanece, as casas, o empedrado das ruas, o desenho do horizonte, mas há algo que mudou e não nos damos logo conta do que é.

Estou num lugar onde o silêncio incomoda, quando dantes era ele que enchia as noites e se tornava sinal dos rumores do mundo. Era tão antigo, o silêncio na minha aldeia. Ouvia-se o vento a ralhar na chaminé e os passos das pessoas na calçada. Das tabernas vinha o rumor de vozes, havia sempre vozes a altercar nas tabernas e tínhamos uma em cada rua, com o seu canto a erguer-se sempre que, no apogeu dos copos de três, acontecia  a amizade.  “Castelo de Be-e-ja, subindo lá va-a-i! Tu fazes inveja – castelo de Beja – às águias reais.”  E quem os ouvisse sabia que estavam em paz com o tempo. E eu, criança nessa altura, sabia que os homens voltariam para casa alegres e titubeantes, para no dia seguinte voltarem a labutar ao sol. Era a ordem de um mundo que se desvaneceu.

Agora, vemos as cegonhas, ouvimos a passarada nas árvores do jardim, mas não há gente – aquela geração que enchia os lugares com as suas vozes arrastadas e sãs, tão sãs que o próprio tempo ficava a ouvi-las,  quando o tempo ainda tinha a amplitude da infância e era maior, demorado e permanente. Não estão cá, avós e pais, tios, vizinhos, primos, toda uma geração que cumpriu o seu tempo e outra que partiu para trabalhar onde pôde. E nós, os que voltámos e sempre demos por garantido o mundo que deixámos, reencontramos-nos com o lugar do passado – tudo igual, tão antigo e tão autêntico – mas tão silencioso e vazio…

O tempo trouxe a modernidade, a siderurgia, as fábricas, os escritórios, a febre do litoral, onde se empinaram cidadelas suburbanas de gente obreira. Os campos encheram-se dos rumores mecânicos que deixaram de mãos vazias os ceifeiros e as mondadeiras que cantavam ao sol. O tempo passou sobre todos. Levou muitos, deixou poucos.

E eu hoje ouço as ausências e o seu lugar vazio… “Tri-guei-ri-nha, tri-guei-ri-nha…”, ergue-se uma voz. Respondem as outras “andas na calma a canta-a-ar” e há um arco de eternidade suspenso na minha memória. Havia estas vozes que sabiam alinhar a concórdia universal, suspensa numa sílaba de partilha maior, em uníssono, como quando havia trabalho e sobrava suor para cantar.

A minha aldeia é como todos os lugares esquecidos do interior, mas aqui a interioridade está caiada de branco, o branco do silêncio, porque dantes as vozes juntavam-se e planavam alto, em crescendo, no coração da aldeia, e agora só ficou a solidão que já existia no olhar de quem partiu, estampada nas pedras que nos sobrevivem.

Ana Isabel F.

Editorial à procura de um mês

«Talvez, devagarinho, [se possa] voltar a aprender».

 

Já muito se falou e se escreveu sobre Salvador e Luísa Sobral e sobre a qualidade musical e poética da canção que quebrou o aziago feitiço que colocou, anos e anos a fio,  a canção representante de Portugal no final da tabela de classificação do Festival da Eurovisão, fosse qual fosse a qualidade da música a concurso. Só no dia 13 de maio de 2017, 48 anos depois, me senti vingada do 15.º e penúltimo lugar que Simone de Oliveira obteve no Festival da Eurovisão com a «Desfolhada», a canção de Ary dos Santos (letra) e Nuno Nazareth Fernandes (música), que conquistou milhares de portugueses, sobretudo com a ousadia de alguns dos seus versos, como o que se atreve a clamar: «Quem faz um filho fá-lo por gosto». Na altura tinha eu 9 anos, agora tenho 56. Mas valeu a pena esperar, porque o tempo de espera redobrou o sabor da vitória que, ainda por cima, foi inquestionável, expressiva, emotiva, fantástica. Todos estes adjetivos cabem, aliás, na canção que o mundo passou a trautear desde o dia 13 de maio «Amar pelos dois», revelando, inesperada e naturalmente, a beleza melodiosa da língua portuguesa. Isto apesar de, no dia em que escrevo, 25 de junho, a canção ter, infelizmente, praticamente deixado de se ouvir na rádio portuguesa, incapaz de fazer frente ao poder da música anglo-saxónica – sinto-me totalmente incapaz de perceber este fenómeno.

Porém, neste editorial que deveria ter sido de Maio e que, por limitações minhas de tempo para a escrita, acaba por acontecer em finais de junho, é sobre a força da letra desta canção que quero refletir neste momento. Porque o facto de, na sociedade atual, a caminhar para a pós-modernidade, em que a felicidade individual, diria até umbigal, tem o primado – quem não se lembra de ouvir amiudamente a expressão «eu mereço», «só há uma vida», «quero ser feliz» –  o facto, dizia, de tanta gente se ter deixado encantar por uma canção que fala em «Amar pelos dois» – exige-me esta reflexão.

Afinal o «Amar pelos dois», cantado divinamente por Salvador Sobral, nega a primazia desta felicidade individual. E, mesmo assim, ganhou o coração das pessoas.

Muitas delas decerto não terão dado enfoque à mensagem da canção, tendo sido conquistadas apenas pela melodia e pela voz sedutora do cançonetista, porém acredito que o coração de muitas outras sentiu o poder do verso «o meu coração pode amar pelos dois». Quem não desejaria, aliás, ser amado por alguém com esta capacidade de amar? Capacidade que não hesito em caracterizar como muito cristã, pois não está ela na mensagem de Cristo quando Ele defende que devemos ter a capacidade de dar a outra face, de entender, de não formular juízos de valor, de perdoar?

Atrevo-me a dizer que todos nós, os que partilhamos a condição humana, gostaríamos de encontrar alguém que tivesse a capacidade de amar assim, pelos dois, pois há momentos na vida em que, por distração do que é essencial, nos perdemos por aí, incapazes de nos amarmos a nós próprios e de amar os outros verdadeiramente ou, como gosto de dizer, incondicionalmente, com um amor não vivido sem erros, mas vivido na compreensão e no perdão e com o poder de tornar os outros mais fortes.

Se, durante estes períodos de distração próprios do ser humano, houver alguém com a generosidade de «amar pelos dois», dando oportunidade a que os corações distraídos se recomponham, haverá muitas mais probabilidades de o amor sair vencedor, de se fortalecer e de o ser humano se tornar mais forte e mais capaz de amar.

Porque se dermos tempo ao tempo, talvez a maior parte das pessoas se volte a focar no que é essencial. Como repete Salvador Sobral, «talvez, devagarinho, [se possa] voltar a aprender». Eu acredito que SIM.

 

L. Santos

Imagem de destaque: “O beijo” de Klimt

Ação de Solidariedade do 100Letras

 

Como seres humanos, todos devemos ajudar quem mais precisa e, para tal, o Jornal 100 Letras associou-se a uma medida promotora do bem, doando e preparando 29 cabazes solidários, constituídos por vários bens alimentares e escolares, direcionados às famílias mais carenciadas do Agrupamento de Escolas Leal da Câmara (AELC).

Este projeto do jornal, denominado “100 Letras – Solidário”, pretende sensibilizar toda a comunidade educativa para valores como a partilha e a solidariedade em detrimento da indiferença. Pretende-se, assim, deixar um sorriso de alento a quem dele precisa, para que todos usufruam de uma vida com qualidade e um princípio de férias mais promissor.

J. P. Costa
23/06/2017

Cartas aos escritores AMOR DE PERDIÇÃO

Já se encontram AQUI mais cartas aos escritores da nossa eleição, aqueles que, depois do livro lido, ficaram a planar sobre nós com um lastro de luz, tão forte, que precisamos de lhes dizer que os soubemos ler e como os soubemos ler.

Este é um projeto que partiu dos livros  para a realidade. Para além das cartas, também houve fotografias, como nos explicam as professoras responsáveis, no texto abaixo.

Fotografias com livros…

              “Mais uma vez, o livro constituiu objeto de desafio para os nossos alunos, provando, assim, que a leitura abre horizontes, estimula pontos de contacto entre diferentes linguagens e possibilita abordagens complementares, que se traduzem numa maior fruição da obra por parte do leitor.

              No âmbito da abordagem da obra Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, os alunos do 11º ano visitaram a Cadeia da Relação do Porto (Porto) e a Casa de Camilo (S. Miguel de Seide) com a missão de recolherem imagens que, na sua perspetiva, melhor traduzissem as vivências expressas no livro.

              Para além da imagem, houve também quem usasse o poder da palavra para expressar a forma como a viagem ao mundo de Camilo Castelo Branco influenciou a sua relação com leitura da obra.

              Aqui ficam os testemunhos. Parabéns aos leitores!”

1º Prémio – João Teixeira, 11º E1

2º Prémio – Daniel Matias, 11º C3

3º Prémio – Mariana Moreira, 11º E1

Menção Honrosa – Wilson Tavares

Textos:

«Uma visita de Estudo ao Porto» – Carolina Veloso, 11º C3

«Visita de Estudo – Apreciação crítica» – Catarina Cardoso, 11º C3

As professoras,

Fátima Loureiro

Teresa Lucas

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

As cartas publicadas no separador acima são o resultado de um concurso em que participaram vários alunos  de Literatura.

O projeto contou também com uma visita de estudo ao Porto da qual nos dá conta o texto abaixo.

Aquela visita de estudo

Creio que tive o prazer, senão a sorte, de visitar a cidade do Porto, nomeadamente, a casa e a cadeia onde Camilo Castelo Branco permaneceu, no âmbito da disciplina de Português, no meu 11ºano.

Após esta, acredito que a obra será entendida de forma diferente, dado que nós, estudantes, tivemos a oportunidade de conhecer o ambiente da sua casa e da sua cela. De facto, Camilo escreve a maior parte das suas obras nesses locais que, de certa forma, demonstram o estado de espírito e as sensações aí transmitidas. Ou seja, as emoções tornam-se familiares para os leitores. Por exemplo, quando, na obra Amor de Perdição, Simão Botelho é preso, todos os seus sentimentos revelam-se íntimos para o leitor.

Deste modo, foi também possível partir à descoberta do humor, da simplicidade e da gentileza do escritor. Num primeiro impacto, todo o vocabulário utilizado pelo mesmo remete para um carácter mais forte, autoritário, frio e até racional, que, ao longo da visita, é desmentido. Principalmente, na divisão do seu quarto, onde o escritor ocupa a cama mais próxima do escritório, de forma a não incomodar a mulher durante a noite, quando se levanta para escrever.

Em suma, é de espantar a forma como uma simples visita de estudo nos pode proporcionar tal manancial de aprendizagens, de conhecimentos e até de curiosidades. Na minha opinião, esta foi muito significativa para um crescente interesse tanto pela obra Amor de Perdição, como pelo próprio autor, Camilo Castelo Branco.

Catarina Cardoso nº9 11ºC3

Projeto desenvolvido no âmbito de Português

Professora: Teresa Lucas

Parabéns a todos!

One Love Manchester

Podes assistir aqui ao concerto de Manchester, um evento memorável em que Ariana Grande reuniu diversos artistas da pop para homenagear as vítimas dos atentados de Londres e dar, frontalmente, a cara ao medo.

 

O seu exemplo faz-nos pensar que o medo não é para se embrulhar e consumir no silêncio. Há que abrir as portas e gritá-lo a todos até sair.

Não percas este evento!

Reticências vence o Panos

O grupo de teatro Reticências foi o vencedor do PANOS, concurso de teatro dinamizado pela Culturgest, na sua adaptação da peça original Ode Inacabada.  O grupo competiu com outros grupos das seis escolas selecionadas para a final, a quem foi proposta a mesma peça.

Recorde-se que o concurso, que é de âmbito nacional, envolveu um total de dezanove escolas com grupos de teatro ativos.

A peça apresenta uma elevada tensão dramática em torno da problemática existencial de um “eu” que se exprime, a várias vozes, sobre o sentido da vida e sobre a incomensurável solidão de nascermos, vivermos e morrermos sós, confrontados com o mesmo “eu” desconhecido.

O desempenho dos autores esteve à altura da densidade dramática e da exigência do texto, sendo de destacar as vozes, a interação, a movimentação de palco, parâmetros em que os nossos jovens autores já nos deram anteriormente provas.

Toda a encenação foi realizada pelo grupo, o que pode explicar a espontaneidade e naturalidade das representações.  De salientar ainda a introdução de música de saxofone, como separador e intensificador dos momentos mais oníricos.

Mais uma vez, parabéns, Reticências!

  Texto e fotos de

Ana Isabel Falé

Clique na imagem para ler a nova edição impressa

Veja, em baixo, a edição do jornal em pdf.

JORNAL 100 LETRAS – 4 ANOS DE AELC

Neste dia tão especial, chega até si uma edição fresquíssima do Jornal 100 Letras.

Nesta edição comemorativa dos 4 anos do Agrupamento de Escolas Leal da Câmara, o Jornal 100 Letras tentou procurar o que de melhor se fez e ainda se faz neste agrupamento, pois “o que é nacional é bom”.

A utopia faz-se a partir de sonhos e o que se fez neste jornal  contagia tudo e todos, razão pela qual aconselho vivamente a leitura desta edição.

Boas Leituras!

João Pedro Costa

 

Pequenas leituras… grandes momentos!

DSC03342

Trabalho de um aluno da ESLC (2015-16)

Na frente nada de novo
(Erich Maria Remarque)

Estou muito tranquilo. Que venham os meses e os anos, não conseguirão tirar nada de mim, não podem tirar-me mais nada. Estou tão só e sem esperança que posso enfrentá-los sem medo. A vida, que me arrastou por todos estes anos,  eu ainda a tenho nas mãos e nos olhos. Se a venci, não sei. Mas enquanto existir dentro de mim — queira ou não esta força que em mim reside e que se chama “Eu” — ela procurará o seu próprio caminho… Tombou morto em outubro de 1918, num dia tão tranquilo em toda a linha de frente, que o comunicado se limitou a uma frase: “Nada de novo na frente”. Caiu de bruços, e ficou estendido, como se estivesse a dormir. Quando alguém o virou, viu-se que ele não devia ter sofrido muito. Tinha no rosto uma expressão tão serena,  que quase parecia estar satisfeito de ter terminado assim.

A Espera dos Bárbaros

(J. M. Coetzee)

No centro da praça, algumas crianças estão construindo um boneco de neve. Acerco-me, temendo assustá-las, mas tomado de uma inexplicável alegria. Não se assustam, estão ocupadas demais para sequer me notar. Terminaram o grande corpo redondo e, agora, estão fazendo uma bola para a cabeça! — Alguém tem de ir buscar as coisas para a boca, o nariz e os olhos — diz o menino que os lidera. Ocorre-me que o boneco de neve precisará de braços também, mas não interfiro. Colocaram a cabeça sobre os ombros e, com seixos, fazem os olhos, as orelhas, o nariz e a boca. Um deles cobre-o com o boné. Não está mal o boneco. Não se trata da cena com que costumo sonhar. Como tantas outras vezes atualmente, deixo-os, sentindo-me tolo, como um homem que há muito se extraviou, mas que ainda insiste em seguir pela estrada que não o levará a parte alguma.

Cem Anos de Solidão
(Gabriel García Márquez)

Macondo já era um pavoroso redemoinho de poeira e escombros centrifugados pela cólera do furacão bíblico quando Aureliano pulou onze páginas para não perder tempo em fatos demasiado conhecidos e começou a decifrar a última página dos pergaminhos, como se estivesse se vendo num espelho falado. Então deu outro salto para se antecipar às predições e averiguar a data e as circunstâncias de sua morte. Porém, antes de chegar ao verso final já havia compreendido que não sairia jamais daquele quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no instante em que Aureliano Babilônia acabasse de decifrar os pergaminhos, e que tudo estava escrito neles era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda chance sobre a terra.

1984
(George Orwell)

Já não corria nem dava vivas. Estava de volta ao Ministério do Amor, tudo perdoado, a alma branca de neve. Estava na tribuna dos réus, confessando tudo, implicando todos. Ia andando pelo corredor de ladrilhos brancos, com a impressão de andar ao sol, acompanhado por um guarda armado. Por fim penetrava-lhe o crânio a bala tão esperada. Levantou a vista para o rosto enorme. Levou quarenta anos para aprender que espécie de sorriso se ocultava sob o bigode negro. Oh mal-entendido cruel e desnecessário! Oh teimoso e voluntário exílio do peito amantíssimo! Duas lágrimas cheirando a gin escorreram de cada lado do nariz. Mas agora estava tudo em paz, tudo ótimo, acabada a luta. Finalmente vencida a batalha contra si mesmo. Amava o Grande Irmão.

Lolita
(Vladimir Nabokov)

Nenhum de nós estará vivo quando o leitor abrir este livro. Mas, enquanto o sangue ainda pulsa nesta mão com que escrevo, você faz parte, como eu, da bendita matéria universal, e daqui posso te alcançar nas lonjuras do Alasca. Seja fiel a teu Dick. Não deixe que nenhum outro homem te toque. Não fale com estranhos. Espero que você ame teu bebê. Espero que seja um menino. Esse teu marido, assim espero, sempre te tratará bem, porque, se não, meu fantasma o atacará como uma nuvem de negra fumaça, como um gigante insano, e o destroçará nervo por nervo. E não tenha pena do C.Q. Era preciso escolher entre ele e o H.H., e era desejável que H.H. existisse pelo menos alguns meses a mais a fim de que você pudesse viver para sempre nas mentes das futuras gerações. Estou pensando em bisões extintos e anjos, no mistério dos pigmentos duradouros, nos sonetos proféticos, no refúgio da arte. Porque essa é a única imortalidade que você e eu podemos partilhar, minha Lolita.

Notas do Subsolo
(Fiódor Dostoiévski)

Deixem-nos sós, sem livros, e imediatamente ficaremos confusos, perdidos — não saberemos a quem nos unir, o que devemos apoiar; o que amar e o que odiar; o que respeitar e o que desprezar. Até mesmo nos é difícil ser gente — gente com seu próprio e verdadeiro corpo e sangue; sentimos vergonha disso, achamos que é um demérito e nos esforçamos para ser uma espécie inexistente de homens em geral. Somos natimortos, e há muito tempo nascemos não de pais vivos, e isso nos agrada cada vez mais. Estamos tomando gosto. Em breve vamos querer nascer da ideia, de algum modo. Mas basta, não quero mais escrever “do subsolo”… Entretanto, aqui não terminam as “notas” desse paradoxista. O autor não resistiu e prosseguiu com elas. Mas nós também pensamos que é possível terminar por aqui.

Crime e Castigo
(Fiódor Dostoiévski)

Ela esteve também comovida todo aquele dia e, à noite, voltou a ficar doente. Mas era feliz a tal ponto que quase a assustava a sua felicidade. Sete anos, só sete anos! No princípio da sua felicidade, houve alguns momentos em que tinham estado dispostos a considerar aqueles sete anos como sete dias. Ele nem sequer sabia que a vida nova não lhe seria dada gratuitamente, mas que ainda teria de comprá-la caro, pagar por ela uma grande façanha futura… Mas aqui começa já uma nova história, a história da gradual renovação de um homem, a história do seu trânsito progressivo dum mundo para outro, do seu contato com outra realidade nova, completamente ignorada até ali. Isto poderia constituir o tema duma nova narrativa… mas a nossa presente narrativa termina aqui.

O Grande Gatsby
(F. Scott Fitzgerald)

E, quando lá me achava a meditar sobre o velho, desconhecido mundo, lembrei-me da surpresa de Gatsby, ao divisar pela primeira vez, a luz verde e existente na extremidade do ancoradouro de Daisy. Ele viera de longe, até aquele relvado azul, e seu sonho de ter-lhe parecido tão próximo, que dificilmente poderia deixar de alcança-lo. Não sabia que seu sonho já havia ficado para trás, perdido em algum lugar, na vasta obscuridade que se estendia para além da cidade, onde as escuras campinas da república se estendiam sob a noite. Gatsby acreditou na luz verde, no orgiástico futuro, que ano após ano, se afastava de nós. Esse futuro nos iludira, mas não importava: amanhã correremos mais depressa, estenderemos mais os braços… E, uma bela manhã… E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado.

O Estrangeiro
(Albert Camus)

Pela primeira vez, em muito tempo, pensei na minha mãe. Pareceu-me compreender por que, ao fim de uma vida, arranjaram um ‘noivo’, porque recomeçara. Lá, também lá, ao redor daquele asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma trégua melancólica. Tão perto da morte, mamãe deve ter-se sentido liberada e pronta a reviver tudo. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar por ela. Também eu me senti pronto a reviver tudo. Como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que tinha sido feliz e que ainda o era. Para que tudo se consumasse, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muitos espectadores no dia da minha execução e que me recebessem com gritos de ódio.

Dia Mundial da Poesia

Comemora-se hoje, dia 21 de março, o Dia Mundial da Poesia, instituído pela UNESCO com o objectivo de defender a diversidade linguística. Para comemorar a data deixamos aqui uma sugestão de leitura que evoca os poetas portugueses do nosso tempo.

16734086_nRJ3i

 O POEMA

O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.

É o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.

Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.

E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia. Pura intenção
de cantar o que não conhece.

Natália Correia

 

O tempo não podia correr numa ilha sem lugar e sem sombras.
mas abolido o tempo, a história deixava de existir.
ao princípio era a ninfa e o silêncio da máquina do mundo.
era o silêncio no mais puro momento da sua glória inteligível.

Vasco Graça Moura, Concerto Campestre, 1993

Nirvana

Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,
Sem amor, sem anseios, sem carinhos,
Livre de angústias e felicidades,
Deixando pelo chão rosas e espinhos;

Poder viver em todas as idades;
Poder andar por todos os caminhos;
Indiferente ao bem e às falsidades,
Confundindo chacais e passarinhos;

Passear pela terra, e achar tristonho
Tudo que em torno se vê, nela espalhado;
A vida olhar como através de um sonho;

Chegar onde eu cheguei, subir à altura
Onde agora me encontro – é ter chegado
Aos extremos da Paz e da Ventura!

Antero de Quental, in “Sonetos”

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Geografia”

 

 

Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Eugénio de Andrade

 

O profundo silêncio das flores
é um lugar de ausência. Vazia moldura
para o vôo das aves, linha oscilante
de ligeira névoa
que nada revela do que talvez esconda.

Egito Gonçalves, E no entanto Move-se, 1995

 

SÚPLICA

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

 Miguel Torga

 

«Post-Scriptum»

Que rumor consegue ainda magoar-te,
deixar-te inquieto e só à volta das palavras?
Que rumor pode levar-te a escrever assim,
circunspecto e árido,
escassos versos?

Luís Filipe Castro Mendes, Modos de Música, 1996

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada…

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio…

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo…

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in “Infinito Pessoal”

Não Tenho Pressa

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega –
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa

A Utopia (dos nossos alunos)

Utopia-Slider-1024x716

Se tens uma utopia, nenhuma parede é suficientemente forte para a calar.

Ana Dores

Eu tinha uma utopia… De tanto a buscar, perdi-a…
Mas sei que, enquanto houver um utópico no mundo, haverá poesia.

Ângela  Mendes

A maior utopia é pensar que alguém, um dia, possa atingir os limites da imaginação.

Filipe Vítor

Utopia é para mim querer poder, querer poder sem temer, sem sombra de não-ser. É apenas um não-lembrete de tudo o que não sou e de tudo o que não é em mim. Se ela não existe,
então, sinto-a e, não existindo,
é utopia.

Diogo Rey

Segundo a minha mãe, utopia é eu fazer qualquer
coisa sem a sua ajuda.

Tiago Ribeiro

A utopia é uma construção mental onde todos os nossos sonhos parecem realizar-se.

Mabília Alves

Utopia, para Fernando Pessoa, era ver a Nação Portuguesa engrandecida novamente.
Já, para mim, era haver menos gente parva no Facebook.
Utopia é imaginar um mundo perfeito, onde o José Sócrates é preso e o Trump não é eleito.
Utopia é o contrário da realidade, é desejar que no futuro haja igualdade, justiça e que o BES devolva o guito à malta.
Utopia, para Pessoa, era ver a Nação conquistar o 5.° Império, já para a Nação Sportinguista é conquistar um título.

Rodrigo Karvat

Quando a utopia morrer, já eu não estarei vivo.

Rafael Pinto

Só há utopia, se a mente do homem não for vazia.

Ana Dores

A utopia para mim é pensar num mundo azul, igual a este,
mas com uma orla de inocência.

Ana Rocha

A maior das utopias é alcançar os meus sonhos sem me cansar.
Mas a minha utopia seria conseguir harmonizar as vozes dentro da minha família.

Tiago  Baptista

A utopia de Alberto Caeiro é ser um pastor que guarda rebanhos sem os guardar.

Rafael Pinto

Utopia é imaginar que existe algo fora da caverna.

Elísio Badona

Como a igualdade nem sempre é justa, utopia é desejar as duas,
justiça e igualdade, num mesmo lugar, num mesmo dia…

Rodrigo Karvat

Só há utopia se houver liberdade para a buscar.
Para mim, a maior utopia é haver apenas sorrisos no rosto das crianças.

Ana Rocha

12º CT/LH

O neoliberalismo visto por um aluno

         122799

           O Neoliberalismo caracteriza-se por um conjunto de ideias políticas económicas e capitalistas que defende a não intervenção do Estado na economia.

            Tem como prioridades a mínima participação estatal na economia de um país, a pouca intervenção do governo no mercado de trabalho, a política de privatização de empresas estatais, a livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização, a abertura da economia para a entrada de multinacionais, a adoção de medidas contra impostos e tributos excessivos e a defesa de que a base da economia deve ser formada por empresas privadas.

            Surgiu na década de 40 como uma crítica do bem-estar social ao Estado e começou a ser implementado de forma pioneira no Chile de Pinochet, na Inglaterra de Thatcher e nos EUA de Reagan. Depois de Thatcher e Reagan assumirem o poder, foram tomadas medidas como: cortes de impostos para os abastados, o estrangulamento dos sindicatos, a desregulamentação, as privatizações, entre outras muito populares entre os grandes grupos capitalistas.

            O Neoliberalismo tem desempenhado um papel muito importante num variado leque de crises: o colapso financeiro de 2007/2008, a evasão de riqueza para os “paraísos” fiscais (os Panama Papers são apenas alguns dos casos conhecidos), o colapso da saúde pública e da educação e o fim do Estado Social cada vez mais real. Não deixa de ser irónico o slogan utilizado pela doutrina neoliberal “Não há alternativa”, prometendo liberdade de escolha. Essa liberdade que o Neoliberalismo oferece é uma liberdade envenenada pois o “livre de impostos” (nos EUA, capital do Neoliberalismo, as grandes fortunas não são taxadas) significa a liberdade de fugir da distribuição de riqueza que tira as pessoas da pobreza.

            É preciso uma nova ideologia que venha substituir o Neoliberalismo, pois a sua adoção agravou as desigualdades sociais e, talvez, enquanto não surge uma, voltarmos à Social Democracia, em que o bem-estar do cidadão era o objetivo principal. Urge romper com as relações promíscuas entre a política e os grandes grupos económicos. Não é utopia pensar que os setores-chave da economia devem voltar para as mãos do Estado, ao invés de pertencerem ao setor privado e, talvez mais importante, que o Estado precisa de ter um papel regulador na economia pois é sabido que os mercados não se autorregulam. Tal não aconteceu ontem, nem hoje e não irá acontecer amanhã.

            Afinal, os grandes grupos capitalistas estão cada vez mais fortes, ao passo que as pessoas, numa relação inversamente proporcional, estão cada vez mais enfraquecidas e empobrecidas. É suposto “os opostos atraírem-se”, mas na realidade e, nesta situação específica, isso não acontece. Constata-se, aliás,  que o fosso é cada vez mais profundo.

 

Tiago Ribeiro, 12ºCT/LH

Os 60 anos da RTP

Ontem, dia 5 de março a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) celebrou conjuntamente com a 51ª Gala do Festival da Canção, os seus 60 anos de emissões em Portugal, tornando – se o primeiro canal público a operar em Portugal.

Tudo começou em março de 1957 com a realização de uma emissão televisiva pioneira na feira popular, em Lisboa, começando plenamente no dia 7 de março de 1957. Por esta estação pública passaram figuras marcantes na história portuguesa, como Nicolau Breyner, Camilo de Oliveira, Jaime Fernandes ,entre muitos outros.

Para juntar o útil ao agradável, a RTP decidiu unanimemente realizar a Final do Festival da Canção, onde concorrem as 8 canções, de onde ” saiu” uma vencedora, de nome ” Amar pelos dois”, interpretado pelo Salvador Sobral e escrito pela sua irmã Luísa Sobral. A mesma irá representar Portugal na 1ª semifinal, em Kiev, na Ucrânia, em meados do mês de maio.

Perante este espetáculo maravilhoso, resta -me dar os parabéns á RTP, e desejar – lhe que conte mais 60 anos e que eu faça parte dos mesmos.

PARABÉNS RTP !!!

João Pedro Costa

6 de março de 2017

Festival-da-Canção-2017-1-620x270

Editorial de março

mudanca

Março é o mês da mudança, quando subitamente nos damos conta de que a Primavera pode estar a caminho e nos começamos a vestir com a esperança do Sol. Março traz-nos um novo tempo, manhãs mais vespertinas, dias mais demorados, tardes mais amplas no desenho dos dias. E nós abraçamos a novidade, porque a mudança cumpre o ciclo da vida.

Não restam dúvidas de que Março é o mês da mudança, mesmo que tudo fique igual e as manhãs ainda sejam dezembrinas ou dos telhados escorram fios de chuva. É mais uma questão de ser como o vento e de ir para onde ele vai, vestindo a mudança por dentro, no sorriso ou no olhar, antes mesmo que ela seja vinda.

De resto, é sabido que o tempo é como a moda. Vem e vai mas volta sempre. E nós gostamos de saber que o mundo pode passar a ter outras tonalidades, capazes de se refletirem subtilmente no nosso humor. Mesmo que demore a vir a vivência plena do Sol, nós sabemos que há de haver uma mudança nos nossos dias, um vento mais suave, uma luz mais acesa e (talvez) uma nova paixão pela vida. E, naturalmente, uma perspetiva de mudança é tão poderosa como a mudança em si. Dizem-nos isso os poetas e eles nunca se enganam.

Porém, não convém esquecer que a Primavera é mesmo a mudança maior da Natureza, porque é bela e faz renascer o que é belo. É a festa pagã da renovação, que discretamente vivemos na Páscoa quaresmal. Nessa contenção que nos oprime, no roxo da paixão de Cristo, estão ainda o rosmaninho e a giesta e todas as flores que nasceram pela mão do Criador. Esperamos a mudança, sem sabermos bem porquê. Só a não esperam os que desistiram, os descrentes, os céticos e alguns poetas… talvez porque a mudança é o renascer de uma esperança que pode ser enganadora… e ninguém mais do que os poetas sabe sublimar a esperança.

Com as suas palavras proféticas, os poetas já exprimem há séculos a mudança como o lugar da esperança ou da falta dela.

Deixamos aqui diferentes perspetivas, na certeza de que cada leitor saberá lê-las como suas ou como dor lida que é alheia e, talvez, até fingida.

Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in Sonetos

No Ciclo Eterno das Mudáveis Coisas

No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos.Ricardo Reis, in Odes de Ricardo Reis
(Heterónimo de Fernando Pessoa)

Não Me Sinto Mudar

Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo.
O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos
cada dia mais raros são os meus cepticismos,
nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmomental que derrubasse a canção dos meus dias
que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome.
Não mudei. É um pouco mais de melancolia,
um pouco de tédio que me deram os homens.

Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.

As roseiras florescem, as mulheres partem
cada dia há mais meninas para cada conselho
para cada cansaço para cada bondade.

Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas
os vermes raivosos desfazem a dor,
todos os homens pedem de mais para amanhã
eu não peço nada nem um pouco de mundo.

Mas num dia amargo, num dia distante
sentirei a raiva de não estender as mãos
de não erguer as asas da renovação.

Será talvez um pouco mais de melancolia
mas na certeza da crise tardia
farei uma primavera para o meu coração.

Pablo Neruda, in Cadernos de Temuco
Tradução de Albano Martins

Ante Tamanhas Mudanças

Antre tamanhas mudanças,
que cousa terei segura?
Duvidosas esperanças,
tão certa desaventura…Venham estes desenganos
do meu longo engano, e vão,
que já o tempo e os anos
outros cuidados me dão.
Já não sou para mudanças,
mais quero üa dor segura;
vá crê-las vãs esperanças
quem não sabe o qu’aventura!

Bernardim Ribeiro, in Cancioneiro Geral de Garcia de Resende

Mudança

 

Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a
velocidade.

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com
atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama…
Depois, procure dormir em outras camas
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais… leia outros livros.

Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.

Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.

A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.

Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida,
compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado… outra marca de sabonete,
outro creme dental…
Tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.

Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos
óculos, escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.

Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já
conhecidas, mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,
o movimento, o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena !!!
 
Clarice Lispector 
Ana Isabel Falé

(Pequeno) Ensaio sobre a Família

A FAMÍLIA

familia_19

Tradicionalmente, a família é o conjunto de pessoas que possuem um grau de parentesco entre si, que partilham o mesmo espaço e os mesmos recursos. A família nuclear é normalmente formada pelo pai e mãe, unidos pelo matrimónio ou por união de facto e por um ou mais filhos.

Porém, de alguns anos para cá, o tempo mudou, acelerou e as famílias também sofreram a influência dessa realidade. Atualmente, e cada vez mais, a família tradicional está a dar lugar a outros tipos de família, como famílias monoparentais, famílias reconstruídas, entre outras.

A entrada da mulher no mercado de trabalho foi um dos fatores que contribuiu para a alteração dos papéis familiares e para a emergência de um novo modelo de família. Deste modo, os dois cônjuges passam a ter estatutos idênticos e a partilhar responsabilidades na gestão da vida familiar. Neste contexto, o papel da mulher tem sido o de manter o equilíbrio no seio familiar ao nível afetivo e material.

Esta instituição, no passado, tinha a vida mais simples e tranquila. Não havia toda esta correria que vemos hoje em dia. Na família antiga, a vizinhança era considerada como se fosse parte da família. As reuniões e confraternizações sempre eram motivo de festa. Hoje já não é tanto assim. A família pode estar na origem de uma imensidão de problemas. Existem inclusivamente famílias onde a violência é uma constante: esposos para com as esposas, ou vice-versa, pais para com filhos e filhos para com os pais.

Os fatores que desencadeiam a violência começam pela baixa escolaridade, baixos salários, alcoolismo, drogas ou simplesmente o desemprego e a falta de condições materiais para a família sobreviver. Por esses motivos, há cada vez mais famílias desestruturadas e sem quaisquer laços afetivos.

Não obstante, a família ainda é o principal suporte social das crianças e dos jovens, seja ela como for, desde que alguém, uma avó, uma tia, uma mãe ou um pai, ainda que sozinhos, assegurem a segurança e a estabilidade que leva ao crescimento saudável.

Em suma, apesar de a família ter acompanhado as transformações sociais, continua a ter um papel central na sociedade, continua a desempenhar uma ação fundamental na reprodução e na inclusão social dos seres humanos e a ser valorizada pelos seus membros.

Ana Maria Rocha

12º CT/LH

Encontro Local de Basquetebol 3X3

No passado dia 22 de fevereiro de 2017, decorreu na Escola Secundária Leal da Câmara, o Encontro Local (Concelho de Sintra) de Basquetebol 3×3, um projeto complementar do Desporto Escolar com a Federação Portuguesa de Basquetebol, de apuramento para o Campeonato Regional.img_20170222_124024

Neste Encontro Local do Concelho de Sintra, partciparam 11 escolas do concelho nomeado, 42 equipas, oito das quais do nosso Agrupamento e quatro da nossa escola, onde se ealizaram 66 jogos.

Os jogos realizados, foram de uma grande intensidade, decorrendo em resultados muito renhidos,tendo no fim de tudo, apuradas para o torneito regional, as seguintes equipas :

Juniores masculinos – ES Leal da Câmara- 1º lugar – apurados para o Regional
Juniores femininos – ES Leal da Câmara- 2º lugar – apuradas para o Regional
Juvenis femininos – ES Leal da Câmara- 2º lugar – apuradas para o Regional
Iniciados Femininos – EB Padre Alberto Neto – 1º Lugar- apuradas para o Regional
Em suma, estes toneios tem como intuito a formação e interação social e física dos alunos que os assistem e de quem os pratica.
                                                                                                                                  João Pedro Costa
                                                                                                                      27 de fevereiro de 2017
IMG_20170222_123959.jpg017

Os limites do humor

stand-up-comedy

A comédia, grosso modo, é o uso do humor nas artes cénicas, espetáculos, filmes, etc. De modo geral, comédia é aquilo que faz rir, que é engraçado. Neste sentido, o conceito de humor está associado ao de comédia e, muitas vezes, não fazemos distinção entre ambos. Mel Brooks define comédia da seguinte maneira: «Tragédia é eu partir uma unha; comédia é tu caíres no buraco de esgoto e morreres» .  Ou seja, rimo-nos da desgraça, quer pessoal quer alheia, porque as coisas banais não dão vontade de rir, pelo menos não no sentido humorístico.

Todavia, algumas pessoas defendem o politicamente correto, pelo que é preciso colocar limites ao humor e ao uso de estereótipos ou de narrativas que possam ser discriminatórias. Em contrapartida, essa ideia colide com a liberdade de expressão e, segundo Mick Hume em Direito a Ofender, «a liberdade de expressão é mais importante do que a salvaguarda das susceptibilidades».

No entanto, o propósito do humor é, sobretudo, fazer rir, alegrar, nunca trazer tristeza, aborrecimentos, pois para isso existem os políticos. Para além disso, um riso partilhado une as pessoas e aumenta a cumplicidade de grupo, porque o humor é contagiante. Porém, aquilo que é risível para um pode não ser para outro, daí haver tantos estilos de comédia e de humor. Neste sentido, convém não esquecer o seguinte: as piadas são escritas por pessoas e para pessoas. Na verdade, toda a gente sabe que as loiras não são burras, que os alentejanos não são preguiçosos e que os chineses não falecem. Ora, penso que não é necessário explicar que eu não acredito de facto que os chineses não falecem, apenas tentei fazer humor para exemplificar o meu raciocínio, que é: uma piada, regra geral, é apenas uma piada e não passa disso, ainda que tenha um alvo. Assim, pode haver piadas de mau-gosto, de humor negro, de loiras, sobre doenças, mas não passam de pretexto para rir coletivamente.

Em suma, existem piadas na mesma proporção que existem opiniões e acontecimentos, pois estes constituem a matéria-prima do humor. Finalmente, e na pior das hipóteses, se assumirmos que a piada é uma opinião, então, segundo a liberdade de expressão, temos de concluir que uma vez que a opinião é livre e que as pessoas têm o direito de expressá-la, o mesmo tem de ser aplicado às piadas. Não obstante, no fundo, uma piada não passa de uma perspectiva engraçada de algo e, na minha opinião, só há dois tipos de piadas: as boas e as ruins.

Rodrigo Karvat

12º CT/LH

Bicicleta, o veículo do futuro?

captura_de_pantalla_2016-06-28_a_las_11-45-55

Numa época em que cada vez mais se pensa em alternativas ao automóvel, a procura duma solução tem vindo a ganhar cada vez mais força, uma vez que a poluição ambiental é levada a sério pela sociedade, que se preocupa com uma melhor e mais saudável gestão da vida do nosso planeta, a Terra. Além disso, a carteira dos cidadãos tem também sofrido muito com o uso excessivo e por vezes desnecessário do automóvel, com os preços do combustível, com a manutenção e seguro, para citar apenas alguns dos muitos custos que o cidadão tem ao ser detentor de um automóvel.

Face a estes problemas, muitas soluções têm sido propostas, sendo uma delas o uso da bicicleta. Considerado actualmente como o meio de transporte mais utilizado do mundo, a bicicleta poderá ser uma alternativa eficiente aos automóveis. Como é um meio de transporte relativamente pequeno e de fácil condução, o cidadão não mais terá de se preocupar com a tarefa difícil de encontrar estacionamento, com os atrasos resultantes dos engarrafamentos, não gastará dinheiro na obtenção da licença … Enfim, o uso da bicicleta como transporte diário alivia, e muito, os nossos bolsos, até porque somos nós mesmos (o nosso esforço físico) o combustível necessário para a pôr em movimento.

Além disso, com a bicicleta corremos, à partida, menos riscos de sofrer um acidente de viação, pois as velocidades implicadas (principal causa de acidentes) serão menores. A nível ambiental, o nosso planeta agradece pois menos poluição será causada, tanto sonora (barulho dos motores dos carros, buzinas), como atmosférica e visual (trânsito, fumos).

Porém, para que o uso da bicicleta em massa seja possível, a população terá de ser reeducada, assim como terão de ser construídas muitas infraestruturas, o que pode ser difícil numa sociedade sobrelotada em muitos pontos do mundo e com carências de espaço. Em muitos casos, a bicicleta poderá nem sempre servir, pois não é um veículo que aguente grandes cargas, e não servirá para uma família de quatro pessoas se deslocar em viagem; do mesmo modo, uma pessoa com um posto de trabalho longe da sua casa levaria também muito mais tempo a chegar; pessoas com deficiências físicas poderão também ser prejudicadas neste processo, visto que uma boa condição física é precisa para o uso da bicicleta.

Concluindo, a aceitação da bicicleta como principal substituto do automóvel poderá ser uma tarefa difícil ou quase impossível, face a alguns dos factores já mencionados, visto que a sociedade inteira teria de mudar drasticamente a todos os níveis. A existência da humanidade tem sido marcada por muitas mudanças e já houve sociedades inteiras que tiveram elas mesmas de se revolucionar para estarmos onde estamos. A bicicleta poderá ser mais uma dessas mudanças consideradas hoje impossíveis e ridículas, mas brilhantes no futuro.

Miguel Pinto

12º CT/LH

Como a literatura nos faz pensar

             A propósito da obra dramática de Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, e do patriotismo de uma das personagens, a aluna Raquel Lima do 11º A1 escreveu este texto sobre o orgulho de ser português.

            portugal

            Manuel de Sousa Coutinho prova ser um português genuíno ao queimar o seu palácio para que este não passasse para o poder espanhol. Esta sempre foi a atitude portuguesa, a de nunca baixar os braços e lutar pelo que é nosso.

                Os tempos mudaram e talvez também a nossa atitude mas a verdade é que o nosso país continua grandioso. Somos uma das nações mais antigas do mundo (nascemos em 1143), impulsionámos os descobrimentos, dividimos o mundo com Espanha, fomos os primeiros a abolir a escravatura (em 1751). A nossa língua é a quinta mais falada em todo o mundo, temos uma palavra que não se traduz em mais nenhuma língua – saudade. Em termos culturais temos bastantes elementos destacados pela UNESCO e não só! O fado é património imaterial e algo bastante característico, tal como o Cante Alentejano e a Guitarra Portuguesa; o Palácio da Pena é considerado o mais bonito da Europa; Guimarães, Sintra e Lisboa são locais de destaque e a cidade do Porto foi considerada o melhor destino europeu de 2017. Temos uma gastronomia poderosa, desde os vinhos à dieta mediterrânea e ao célebre pastel de nata. Somos também um país ambientalmente apelativo: o Douro Vinhateiro e a Floresta Laurissilva por exemplo são património mundial.

                Todavia, hoje em dia, alguns marcos de importância mudaram, já não há terra a descobrir (pelo menos neste planeta) e não somos um país propriamente forte economicamente, mas temos portugueses em todo o mundo! Somos reconhecidos por avanços médicos e tecnológicos, somos campeões europeus de futebol, ganhámos a medalha de bronze no Judo, o presidente da ONU é o português António Guterres, além de termos um presidente que tira fotos em aeroportos a fazer o “dab” com adolescentes e aceita desafios para “rappar” em vez de construir muros ou colocar a família em lugares de chefia, com ordenado, apesar de nunca exercerem.

                Nos últimos anos temos assistido a um aumento no turismo e no número de pessoas que escolhem vir viver para cá, especialmente os reformados. Temos três características irresistíveis: a paz, o bom tempo e a pouca atividade catastrófica natural.

                Não somos um país perfeito, mas perfeito ninguém é! E eu tenho o maior orgulho em dizer que sou portuguesa.

Editorial de fevereiro

«O amor não obedece às nossas expectativas. O seu mistério é puro e absoluto»

As pontes de Madison County

«O amor não obedece às nossas expectativas. O seu mistério é puro e absoluto» dizia, para si mesma, Francesca Johnson, protagonista do filme As pontes de Madison County, no rescaldo da sua renúncia à vivência plena de um amor secreto e proibido, tão inesperado quanto avassalador.

De facto, o amor entre Francesca Johnson e Robert Kincaid acontece numa altura das suas vidas em que ambos não tinham qualquer expectativa nem vontade que acontecesse, impondo-se a ambos de uma maneira absolutamente misteriosa e dominadora, apesar de Francesca acabar por abdicar daquele amor-paixão em prol de outro(s) amor(es), diferente(s) decerto, mas também amor(es): em prol do seu casamento, da união da sua família, da prossecução da sua história de vida.

Mas será sempre assim? Fugirá sempre o amor às expectativas e ao controlo do ser humano ou, ao contrário do que aconteceu com Francesca Johnson e e Robert Kincaid, haverá ocasiões em que as expectativas e a vontade de encontrar o amor funcionarão como verdadeiros estímulos para que este aconteça?

Esta questão será, decerto, um bom ponto de partida para refletirmos sobre o Amor neste mês de fevereiro em que se decretou, por devoção a S. Valentim ou por fervor comercial, comemorar o amor e os afetos.

Tendo em conta o que escreveram sobre o amor, os nossos poetas, da antiguidade à atualidade, subscreveriam as palavras de Francesca Johnson. Para Camões, por exemplo, o amor é um verdadeiro desconcerto que põe na alma «Um não sei quê, que nasce não sei onde; / Vem não sei como; e dói não sei porquê;», não tendo nunca correspondido aos anseios do poeta que nos diz, tristemente, que: «De amor não vi(u) senão breves enganos». Em Bocage descobrimos, igualmente, o amor mistério: «De seus mistérios co’a chave, / Amor entre nós volteia:», que, tal como acontece com Camões, é fonte de dor e não é capaz de colmatar os desejos do poeta: «Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,/Também carpindo estou, saudoso amante». Em Almeida Garrett, vemos, pela vivência de um amor feliz, que o amor não corresponde às suas expectativas, supera-as e com um arrebatamento que ele jamais ousara querer ou sequer imaginar. «Minha vida, minha alma. Anjo celeste do amor que me apareceste quando eu já não cria nem desejava nada nesta absurda vida do mundo, deixa-me desabafar contigo assim…).», confessa Garrett numa das muitas cartas que endereçou a Rosa de Montufar, viscondessa da Luz. Mais recentemente, numa canção com letra de Carlos Tê, Rui Veloso lamenta o facto de ter empenhado o seu anel de rubi para levar a namorada ao concerto do Rivoli, do qual ela acabou por fugir, deitando por terra as suas expectativas de uma sonhada noite de amor. Já Miguel Gameiro constata que: «Ainda não há receitas/ pr’a juntar dois corações».

Porém, o contrário também poderá acontecer? As expectativas e a vontade de encontrar o amor poderão funcionar como verdadeiros estímulos para que este aconteça?

Eu gosto de pensar que sim, aliás, atrevo-me até a responder que sim, pois, se tivermos expectativas, esperanças, sonhos, utopias e acreditarmos que, mais cedo ou mais tarde, eles se poderão concretizar, talvez se concretizem mesmo. E este pressuposto serve para o amor, para a amizade, para o sucesso, para a alegria, seja para o que for. E se, conjuntamente com as expectativas, as esperanças, os sonhos e as utopias, nos dermos plenamente à vida e aos outros, com alegria e com amor, a vida há de arranjar um caminho para nos agraciar.

Pensem nisto, neste Fevereiro frio e chuvoso, mas já a piscar o olho a Março, tendo a certeza de que a Primavera chegará.

Lucinda Santos

Utopias e Utopias : a questão ?

No âmbito do projeto ” Ler Faz Bem”, da revista VISÃO, o colaborador do Jornal e aluno da Escola Secundária Leal da Câmara, escreveu um texto de opinião acerca do livro, oferecido pela respetiva revista ,de nome  A Quinta dos Animais , de George Orwel, tendo ficado entre os melhores dos melhores (comentários) , sendo publicado no site da revista, em VISÃO.

O texto pronunciado é o seguinte :

“O livro A Quinta dos Animais, relata – nos um modelo do Comunismo Estalinista, que se retrata numa utopia total, perante toda a humanidade, afetando principalmente todos os que acreditavam na mesma, ficando no fim sem saber distinguir o bem do mal.

Na minha opinião, a cada capítulo que ia lendo deste livro, sentia uma sensação de curiosidade e conseguia imaginar a quinta, os animais, a caçadeira, o crânio do porco Major, a bandeira da Rebelião existente na quinta, os “ humanos, entre outros, trazendo – me uma sensação maravilhosa de como a história estava a decorrer.

Porém no decorrer da mesma, fui percebendo que todos os princípios “acordados” iam sendo “destruídos ” à medida que evoluiam os interesses, dos porcos, principalmente de Napoleão, com a ajuda de Tagarela, pois os todos os animais trabalhavam sem parar e quem ficava com os lucros era quem mandava.

Em Suma, tenho a dizer que este livro retrata na perfeição o regime comunista, pois evidenciam uma utopia total, em que só os poderosos ficam a ganhar e o “ resto” que fique sem nada. Mas este regime, ainda se aplica infelizmente, na nossa atualidade e sociedade, pois são os poderosos que ainda ficam com “ tudo” e os “pobres” dizendo assim, não ficam com nada.”

 

João Pedro Costa

janeiro – fevereiro 2017

Portugal Second

Este é o vídeo de resposta de Portugal ao “America first” de Donald Trump.

Foi elaborado pela equipa do programa “5 para a meia-noite” da RTP 1 e vem na sequência do vídeo holandês, realizado com o mesmo espírito. A este país seguiram-se muitos outros que mostram o seu país, no mesmo suporte e usando expressões típicas de Trump, para mostrar que, provavelmente, a América poderá não ter assim tantas razões para vir em 1º lugar…

É uma curiosa tomada de posição do velho continente, que chama a si o berço da cultura ocidental em que se inscreve a cultura americana, lembrando que há valores que levaram séculos a conquistar …

A não perder estes vídeos, sobretudo o português: irónico, hilariante, muito oportuno e atual.

Imagem de: http://observador.pt/2017/02/03/portugal-second-o-video-que-portugal-fez-para-responder-a-trump/

Cidadania nas Escolas do Agrupamento

 

parlamento-jovem1

Realizou-se no dia 16 do corrente mês, pelas 15 horas, no Auditório da ESLC uma sessão do Parlamento Jovem, na qual estiveram presentes o Dr. João Soares e Eurico Brilhante Teles, que responderam às perguntas dos alunos.

paralamento-jovem-2

De igual modo, os jovens do nosso Agrupamento, tanto da EBPAN como da ESLC, participaram na Assembleia Jovem, realizada ontem na Escola Básica Padre Alberto Neto de Queluz, sessão que contou com a presença do Presidente da Câmara de Sintra, Dr. Basílio Horta, entre outras individualidades.

pparalamento-jovem-3

Conflitos armados

professora-vancia-conflitos-armados-no-mundo-2-638

Os conflitos armados têm sido uma constante desde que o mundo é mundo,  primeiro por questões tribais e territoriais e mais tarde por questões de poder e de influência. Nos nossos dias, prevalecem essas mesmas razões e ainda outras motivações relacionadas com a disputa de influências económicas.

Portugal, ao longo da sua história, também já viveu diversos conflitos armados, embora a maioria deles tenham sido enaltecidos como grandes feitos épicos e heróicos, fruto de muito sangue e muito sofrimento.  Contudo, foram essenciais para que a nossa nação seja hoje livre, independente e democrática.

Tendo em conta os principais conflitos da atualidade, verifica-se que estes, na maioria dos casos, são consequência de décadas de opressão por regimes ditatoriais, apoiados por potências mundiais, algumas das quais também com sistemas políticos duvidosos, do ponto de vista democrático, cujas motivações e interesses ultrapassam a minha compreensão e só contribuem para o agudizar dessas situações.

É difícil imaginar como será viver no meio de um conflito armado, como por exemplo, o que atualmente afeta a Síria e outros países vizinhos. É difícil imaginar como é estar sujeito à arbitrariedade dos senhores da guerra e viver constantemente no medo de perder a vida, sem acesso às necessidades básicas, sem dignidade humana e, perante tudo isto, a condição de refugiado, ainda que incerta, acaba por ser a única forma de escapar com vida a privações tremendas.

Felizmente que, na Europa ocidental, da qual fazemos parte, vive-se hoje o mais longo período de que há memória sem conflitos bélicos, apesar de se avistarem alguns horizontes mais negros, essencialmente perpetrados por aqueles que fomentam alguns dos conflitos anteriormente citados, mas acredito que aprendemos com o passado e que a liberdade, a tolerância e o bom senso que caracterizam a Europa, prevalecerão.

Jorge Cabral

nº 25 10º CT/LH

 

 

Carta de uma aluna aos seus professores

A Leal: uma espécie de casa

Queridos professores e professoras da Escola Secundária Leal da Câmara,

Com a passagem de mais um Natal e a chegada de um novo ano e depois deste clima de festividades, símbolo do amor, da paz, da compaixão, do Inverno, das bolachas com chá ou leite e das luvinhas quentes, lembrei-me de vocês. Mas que disparate! Vocês estão sempre no meu coração, quentinho por tantos rostos que o povoam. O que eu quero dizer é que nesta quadra em especial, lembrei-me que já há muito tempo que não me lembrava de vos dizer o quão importante são. É verdade, o quão único e insubstituível cada um de vós é para milhares de cérebros desnorteados e corações indomáveis que passam pela Leal.

Agora sou estudante universitária, mas vou para sempre guardar uma criança dentro de mim. E, como sabem, as crianças têm saudades de casa. Com isto quero dizer-vos que separar-me de vocês e da minha querida Leal foi como deixar a minha casa. Não saí acorrentada (pelo menos por correntes de ferro). Deixei-vos, porque estava escrito no destino que, à partida, o secundário só dura três anos e aqueles que o concluem com sucesso, devem avançar, e que depois do secundário vem a faculdade, ou outro percurso similar, e que, de seguida, temos de ir trabalhar. Digamos que não saí acorrentada por correntes, saí, sim, acorrentada pelo destino. Não me interpretem mal, enfrento entusiasmada e com gosto todos e cada um dos novos desafios que vêm ao meu encontro. Mas, por mim, a vida era um eterno secundário convosco na Leal. Vocês são a minha casa, como eu nunca pensei que uma escola pudesse realmente vir a significar para mim e são uma casa que me puxou bem além da minha zona de conforto, que me fez acreditar, ter esperança, que me cultivou e me fez olhar para o mundo de modo muito mais colorido e repleto de magia. E, por isso, gostava mesmo que houvesse um contrato, onde se pudesse assinar que toda a vida seria uma Leal. É engraçado como, por vezes, temos de esperar quinze anos para chegarmos ao 10º ano e sentirmos a escola como uma casa que nos acolhe e nos ama.

No fundo, o que eu quero dizer é que vos adoro a todos. Estes três anos tornaram-me, de facto, uma Lealense. Penso muitas vezes em todos vós e quero que saibam como são especiais. Quero que saibam que todos contribuíram para uma frase que eu ando sempre por aí a dizer: “Tive, sem dúvida alguma e com toda a sinceridade, os melhores professores de secundário que podia ter pedido!”

Quero que saibam que, apesar de a vida ser este reflexo de uma estrela cadente, os professores marcam a diferença. Vocês, decerto, marcaram-na. E é de pessoas assim, de profissionais tão competentes e humanos que o mundo precisa.

Uma aluna do secundário,
Mariana Carvalho

P.S.

Os sinos tocam lá fora.
E eu perdi a minha casa.
Dois passos cravados na neve,

Sob o lume da lareira acesa.
O vento chia contra a parede
Eu só queria a minha casa.

As portas das salas,
o corredor sem fim,
A biblioteca e os seus ilustres moradores,
Os conselhos dos sabedores.
Mas a minha casa não é mais para mim.

Cresci, uso gravata,
Saltos altos e camisa branca.
Tenho saudades, quero ser criança.
Lá ao fundo, a minha casa é esperança.

P.p.s. Vocês são uma das minhas casas.

Um Conto Carismático!

O conto Em busca do Sol, da professora do Agrupamento de Escolas Leal da Câmara, Lucinda Santos, reflete um ambiente de carisma, atenção e união.

Este conto desperta em cada um de nós uma sensação de curiosidade acerca de como a história irá decorrer e terminar.

No conto, cada personagem tem a sua própria personalidade e algumas têm que se lhe diga, como por exemplo o facto de o Lobo Mau, tradicionalmente, ser uma personagem maldisposta e rezingona com tudo e com todos e passar, milagrosamente, a ser uma personagem dócil, bondosa e carinhosa, passando a designar – se, talvez pela primeira vez no Mundo, como Lobo Bom.

Esta ideia de o Sol se ter feito de desaparecido faz com que todas as personagens, mesmo todas, desde o rezingão ao dorminhoco que não gosta de fazer nada, se unam perante esta situação e tentem encontrá – lo. Porém, anteriormente, nem um simples “Olá” diziam uns aos outros e não cultivavam relações de amizade entre eles.

E mais não digo !

Aconselho, vivamente , todas as pessoas, independentemente da sua idade, a ler este conto, pois a leitura não escolhe mentalidades, principalmente por esta história ser carismática e interessante em todos os aspetos, fazendo – nos refletir acerca da nossa sociedade, sem darmos por isso.

Obrigado, professora Lucinda, por escrever este conto maravilhoso!

                                                                                                            João Pedro Costa,10ºH4

                                                                                                                     11 de janeiro de 2017

.

 

 

 

 

 

 

Editorial de janeiro

img004

O ano de 2017 chegou não muito bem recebido pelo tempo que o concebeu e o fez nascer. A noite de 31 de dezembro de 2016 para 1 de janeiro de 2017 esteve muito fria e uma brisa cortante obrigou muitos festeiros do Novo Ano a voltar para o quentinho dos lençóis ou para o aconchego do sofá bastante mais depressa do que, inicialmente, tinham expectado. E os primeiríssimos dias do ano assim continuaram, emoldurados por um ténue nevoeiro e fustigados intervaladamente por chuvas suficientemente fortes para serem capazes de lavar os capôs de carros como o meu, parcos em idas ao Elefante Azul e outras estruturas afins.

Condições atmosféricas próprias da época. Nada a fazer, até porque, para aqueles que tiveram a sorte de poder ficar alguns dias em casa, no cantinho dos lençóis ou no aconchego do sofá, frente à lareira, a concretizar leituras constantemente adiadas e a ver filmes eternamente repetidos ou até a dormitar, nada melhor que este tempo que, por prodígio do bem-estar caseiro, ganha cheiro, cor e sabor a conforto e se torna em tempo instigador do sonho e da esperança.

Normalmente, é, em reconfortantes momentos caseiros como este, que nos dá para a utopia e tanto nos parece verosímil o regresso prometido e sonhado de D. Sebastião como as resoluções de Ano Novo continuamente recuperadas e adiadas assim que as rotinas habituais se instalam nas nossas vidas.

Porém, faz bem à alma acreditar que é este ano que vai acontecer, é desta que vai ser. É desta que não comeremos mais doces, para limpar o organismo dos açúcares ganhos com a ingestão, não isenta de culpa, de filhoses, sonhos, bolo-rei, arroz doce e outras doçarias natalícias e que recuperaremos a silhueta que tínhamos na fotografia tirada já nem sabemos bem quando; é desta que sairemos mais cedo do trabalho e que teremos tempo para desfrutar a família, os amigos e os magníficos pôr-do-sol que Portugal nos oferece; é desta que iremos arrumar os papéis e as roupas, que, miraculosamente, ganharam vida e andam espalhados pela casa; é desta que não adiaremos as consultas e os exames médicos; é desta que não nos atrasaremos na entrega dos testes, é desta ….., é desta ……

Não sei se é desta que faremos tudo isto. Há adiamentos que já se colaram à natureza humana. Fazem parte dela e a verdade é que, talvez, tudo tenha mais cor e sabor assim, na incompletude que alimenta (e)ternamente o sonho. Porém, tenho a certeza que, mais uma vez, desta vez, neste regresso ao trabalho para mais um período letivo, vamos fazer o nosso melhor para o Agrupamento, para as escolas e para os nossos alunos. Mesmo que não nos apeteça muito regressar; mesmo que alguns regressem ao estilo rezingão, mesmo que chova muito, mesmo que o frio seja cortante, mesmo que não cheguemos sequer a iniciar a limpeza ao açúcar ou a arrumação dos papéis e das roupas, mesmo que tenhamos consciência e receio das dificuldades que nos esperam, mesmo que ….

Vamos fazer o nosso melhor, tal como sempre fizemos e sempre faremos, pois a verdade é que não sabemos fazer nem ser de outra maneira.

Sejam bem-vindos.

 

Lucinda Santos