ESCRITA COLABORATIVA

ESCRITA COLABORATIVA

O fenómeno da escrita nas redes sociais, que data do início dos anos noventa, ainda não foi suficientemente estudado enquanto voz transgressora dos cânones da escrita de autor e, muitas vezes, da própria escrita. Mas, diga-se o que se disser sobre as tentativas de textualização de ideias nas redes sociais, goste-se ou não da sintaxe empobrecida por uma escolaridade já distante,  a verdade é que a escrita tem começado a fluir e a embrulhar ideias, críticas, desabafos e até uma poesia genuína enquanto “dor” arrancada pelo sujeito lírico das suas gavetas mais recônditas.

Alguns exercícios são apenas frases sintéticas que “pipilam” no Twitter, ou comentários tecidos em volta de uma foto no Facebook, ou ainda sobre uma notícia de jornal. Mal ou bem, os portugueses escrevem, corrigem-se uns aos outros, insultam-se, elogiam-se e, porventura, até se enamoram através da escrita. Não encontraremos muita literariedade nestes esboços de comunicação mas estes não deixam, por isso, de ser escrita, onde os papéis de autor e de leitor alternam entre si. Tecem-se narrativas pessoais, na 1ª pessoa, fios da vida do aprendiz de feiticeiro que outros leem, reproduzem e modificam a seu gosto.

Foi neste contexto que nasceram os bloggers, uma geração de comentadores que escrevem em espaço próprio e são lidos e citados como se fossem jornalistas num jornal convencional.  São discursos tecidos de forma inteligente, com propriedades próprias do texto jornalístico e uma intenção comunicativa muito clara que não importa aqui desenvolver.

O que nos interessa, enquanto professores, é a possibilidade de tirarmos partido dos espaços de escrita online para levarmos os alunos à prática corrente da escrita pessoal ou ficcional, tirando proveito das ferramentas de edição, correção e reformulação de textos e das formas de interação permitidas.

Serve este preâmbulo para promover no CEM LETRAS uma possível sessão de escrita colaborativa, tecida a várias mãos, com uma linha ficcional única e peripécias ditadas pelo “escritor de serviço”.

Não temos a certeza do êxito desta sugestão, mas não é por isso que a deixamos de fazer. Propomos que os interessados(as) (alunos, professores, funcionários) nos contactem para organizarmos o encadeamento da história e a calendarização das participações.

Não importa o estilo, nem o domínio da língua, importa apenas saber contar uma história e prender nela a atenção do leitor.

​(A equipa do Jornal)