O espaço do Eu e o do Outro ou do Dia Internacional da Mulher

Muitos homens poderão dizer, deste dia, que não se justifica (já) o destaque que internacionalmente é dado à mulher. Os tempos terão mudado, os direitos convergem com os dos homens, as capacidades são análogas, as oportunidades também. Talvez. Mas isso só ocorre no melhor dos mundos, se este existir para além da utopia.

Continuamos a ler demasiadas más notícias para podermos deixar de comemorar este dia. Se mais não fosse pelo facto de a Mulher ser um pilar importantíssimo da família, já valia a pena pensar nela e homenageá-la uma vez por ano, quando não todos os dias. Mas não é isso que vemos.

A enorme escalada de crimes contra a mulher (já 11 em dois meses deste ano civil) obriga a que encaremos os acontecimentos como um fenómeno que carece de explicação e de uma resposta urgente! Custa aceitar que, em pleno século XXI, a Mulher tenha de sacrificar a sua liberdade e sujeitar-se a constrangimentos de toda a ordem por medo.

Não é possível aceitar que a resolução das tensões de um casal tenha sempre um desfecho fatídico, violência, morte, sujeição dos filhos, implicação destes nos problemas de um ou de outro, como um último castigo. E aqui, homens e mulheres têm os mesmos comportamentos. Não só um dos membros do casal sacrifica o outro, quando este não corresponde às suas expetativas, como se sacrifica a si próprio ou aos filhos, se assim o dano for maior.

E é sempre no silêncio que tudo decorre. Com ou sem envolvimento das autoridades, o desfecho é inesperado e brutal. Por isso, hoje, Dia da Mulher, é dia de repensar a família, a liberdade, o respeito e a valorização da vida humana, promovendo a suprema integridade das crianças.

São muitas questões a ponderar. Na génese de todas elas, talvez se encontre uma vivência exacerbada do amor, a confusão entre o amor e a posse, questões de falta de amor-próprio, a inveja do outro, mas, sejam quais forem as razões destas reações passionais extremadas, é fundamental que os jovens aprendam, desde muito cedo, na escola ou em família, a distinguir e a delimitar claramente o espaço do EU e o do OUTRO. 

Porém, a  quem cumpre trabalhar na criança um bom equilíbrio emocional, quando a família não o faz?

 

Ana Isabel Falé

 

 

 

 

 

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