Nuvens, de Aristófanes, 2451 anos depois!

AFINAL, O QUE MUDOU?

Numa altura em que a Escola vive mais uma mudança com a concretização das diretrizes dos novos documentos orientadores, o grupo de teatro Tapafuros representa no Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas a comédia Nuvens, do autor grego Aristófanes, encenada no ano de 423 a.C. como contestação às propostas pedagógicas e éticas dos sofistas, na peça representados por Sócrates, que é caracterizado como ateu e blasfemador.

Nuvens, narra a história do velho Estrepsíades, que alicia o seu filho   Fidípides a frequentar a escola de Sócrates, para que este aprenda a arte da argumentação, de modo a ser capaz de o desenvencilhar dos credores que tem.

Porém, o feitiço vira-se contra o feiticeiro, ou seja, em vez de Fidípides ajudar o pai, vira-se contra ele, usando a argumentação aprendida para defender que é tão legitimo um filho bater no pai como um pai bater no filho.

Esta situação revolta Estrepsíades, que, desesperado, acaba por lançar fogo à escola de Sócrates.

No decurso da peça acontecem muitos momentos hilariantes, provocados quer pela movimentação em cena, quer pelos trejeitos expressivos dos atores – exímios nas suas performances –, quer pela linguagem, algo desbragada, utilizada, mostrando que pessoas de todos os tempos se riem de coisas similares e que Aristófanes é tão atual como qualquer autor dos tempos modernos.

A peça, traduzida por Custódio Magueijo e encenada por Rui Mário, estreou na última sexta-feira, 5 de outubro, e estará em cena nos dias 6,12, 19 e 20 de outubro às 21 horas e 30 minutos e no dia 14 de outubro, domingo, das 14 às 17 horas.

Vale muito a pena pegar num agasalho – a peça é representada ao ar livre – e ir até São Miguel de Odrinhas para, durante cerca de uma hora e dez minutos, apreciar o excelente desempenho deste coletivo de pessoas que ousou trazer Aristófanes até aos nossos dias. E que me desculpem todos os outros atores, mas sinto-me obrigada a realçar o desempenho do ator que interpretou o papel do desesperado Estrepsíades: brilhante, brilhante, brilhante!

Lucinda Santos

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