Reticências com mais Inquietação

O grupo de teatro Reticências levou novamente à cena a peça “Inquitação”, uma (re)memorização do 25 de abril que familiares, amigos, colegas e professores puderam ver durante o fim de semana, em duas sessões, no auditório da Igreja Paroquial de Rio de Mouro.

Seguramente, cada um de nós faria um texto diferente sobre as sensações que a música, a dança, as palavras despertaram em nós. A professora T. Lucas mandou-nos o seu. Com os nossos agradecimentos, aqui o partilhamos:

 

«Inquietação!… Inquietação!… Inquietação!…

Porquê? Não sei (ainda)!…»

Desta inquietação criada no palco pelos jovens atores da ESLC, que integram o grupo de Teatro Reticências, uma ideia ecoa e permanece viva no espírito do espetador emocionado até ao fim do espetáculo – a inquietação leva à ação… Ninguém pode ficar indiferente perante uma situação de prepotência caracterizada pela falta de liberdade de expressão, sob pena de se tornar conivente e cúmplice deste ambiente de opressão.

Foi realmente algo eletrizante ver estes jovens atores em ação, a representar, a dançar, a cantar, a dar o corpo e a voz aos poetas portugueses que, ao longo da História, marcaram o seu tempo com a sua poesia interventiva para mudar mentalidades, à procura «da coisa linda» que a realidade sombria não deixava revelar.

Luísa… Jorge… Miguel…, figuras imaginárias, com uma presença muito real no palco, foram homenageadas pelas suas ações heroicas em prol da liberdade de expressão e de pensamento e da dignidade humana, pagando com a própria vida o preço dessa luta resiliente por um tempo justo, em oposição a um sistema totalitário. Foi comovente assistir à forma expressiva e emocionada como os atores, filhos do 25 de abril e da revolução dos cravos, encarnaram o papel das diferentes personagens, recriaram situações a que ninguém jamais deseja assistir, no futuro, mas que continuam ainda presentes na memória daqueles que as vivenciaram no passado, provocando-lhes emoções fortes e lágrimas contidas a muito custo…

Foi, sem dúvida, uma experiência marcante presenciar a atuação destes jovens que, conscientes da importância do seu papel nesta inquietação, que é a própria Vida, estão (ainda) à procura de uma resposta para a sua inquietação pessoal.

Também eles, com as suas palavras, com o seu desempenho expressivo, pretendem intervir, com a consciência de que é preciso agir para despertar as consciências adormecidas, fomentar o desejo de agir civicamente e de transformar as mentalidades para que os erros do passado não se repitam.

Foi realmente uma coisa linda!…

T. Lucas

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