Reticências em Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente

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«Nunca uma representação de uma peça de Gil Vicente me pareceu tão breve e tão feliz.»

No dia 4 de março, domingo, assisti, mais uma vez a uma performance teatral do grupo de Teatro da Escola Secundária Leal da Câmara, Reticências. Desta vez, por exigência curricular, a peça apresentada foi A Farsa de Inês Pereira, do comumente apelidado pai do teatro português, Gil Vicente.

Devo confessar que me custou a sair de casa. Afinal, era domingo, chovia e, em casa, preguiçávamos todos envolvidos pelo calor e pelos sons do crepitar da lareira.

Porém não podia faltar à apresentação do grupo que acarinho e com o qual, ao longo dos anos, estabeleci muitos laços de cumplicidade.

Assim, arranjei coragem para enfrentar o frio e lá fui eu para o auditório da Igreja de Rio de Mouro, onde, como habitualmente, decorreria a apresentação da peça.

E em boa hora o fiz, pois, durante cerca de 45 minutos, vi, embevecida, um grupo de adolescentes a representar em português do século XVI, com uma correção linguística, uma clareza e uma expressividade incomuns.

Foi brilhante a prestação dos Reticências, sem sombra de dúvida. Estão, por isso, de Parabéns todos os membros do grupo, o seu encenador, Rui Mário, os professores que o coordenam, Elisabete Dourado, Fátima Monteiro e Manuel Alves, bem como os alunos do Centro de Produção Audiovisual da Escola Secundária Leal da Câmara, os quais fizeram um trabalho exemplar, de verdadeiros profissionais, ao nível da luz e do som.

O público correspondeu ao que se passou em palco. Foi espectador atento. Esteve em silêncio quando tinha de estar e riu quando tinha de rir, mostrando que estava a receber a mensagem do texto facilmente e que, cinco séculos depois, Gil Vicente continua atualíssimo e a procurar cumprir a sua máxima «Ridendo castigat mores».

Quanto a mim, fiquei rendida a esta Farsa de Inês Pereira. A sensação que tive quando terminou a atuação foi que queria mais. Nunca uma representação de uma peça de Gil Vicente me pareceu tão breve e tão feliz. No final, apenas me apetecia gritar «bis, bis», por favor!

L. Santos

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