Os limites do humor

stand-up-comedy

A comédia, grosso modo, é o uso do humor nas artes cénicas, espetáculos, filmes, etc. De modo geral, comédia é aquilo que faz rir, que é engraçado. Neste sentido, o conceito de humor está associado ao de comédia e, muitas vezes, não fazemos distinção entre ambos. Mel Brooks define comédia da seguinte maneira: «Tragédia é eu partir uma unha; comédia é tu caíres no buraco de esgoto e morreres» .  Ou seja, rimo-nos da desgraça, quer pessoal quer alheia, porque as coisas banais não dão vontade de rir, pelo menos não no sentido humorístico.

Todavia, algumas pessoas defendem o politicamente correto, pelo que é preciso colocar limites ao humor e ao uso de estereótipos ou de narrativas que possam ser discriminatórias. Em contrapartida, essa ideia colide com a liberdade de expressão e, segundo Mick Hume em Direito a Ofender, «a liberdade de expressão é mais importante do que a salvaguarda das susceptibilidades».

No entanto, o propósito do humor é, sobretudo, fazer rir, alegrar, nunca trazer tristeza, aborrecimentos, pois para isso existem os políticos. Para além disso, um riso partilhado une as pessoas e aumenta a cumplicidade de grupo, porque o humor é contagiante. Porém, aquilo que é risível para um pode não ser para outro, daí haver tantos estilos de comédia e de humor. Neste sentido, convém não esquecer o seguinte: as piadas são escritas por pessoas e para pessoas. Na verdade, toda a gente sabe que as loiras não são burras, que os alentejanos não são preguiçosos e que os chineses não falecem. Ora, penso que não é necessário explicar que eu não acredito de facto que os chineses não falecem, apenas tentei fazer humor para exemplificar o meu raciocínio, que é: uma piada, regra geral, é apenas uma piada e não passa disso, ainda que tenha um alvo. Assim, pode haver piadas de mau-gosto, de humor negro, de loiras, sobre doenças, mas não passam de pretexto para rir coletivamente.

Em suma, existem piadas na mesma proporção que existem opiniões e acontecimentos, pois estes constituem a matéria-prima do humor. Finalmente, e na pior das hipóteses, se assumirmos que a piada é uma opinião, então, segundo a liberdade de expressão, temos de concluir que uma vez que a opinião é livre e que as pessoas têm o direito de expressá-la, o mesmo tem de ser aplicado às piadas. Não obstante, no fundo, uma piada não passa de uma perspectiva engraçada de algo e, na minha opinião, só há dois tipos de piadas: as boas e as ruins.

Rodrigo Karvat

12º CT/LH

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