Carta de uma aluna aos seus professores

A Leal: uma espécie de casa

Queridos professores e professoras da Escola Secundária Leal da Câmara,

Com a passagem de mais um Natal e a chegada de um novo ano e depois deste clima de festividades, símbolo do amor, da paz, da compaixão, do Inverno, das bolachas com chá ou leite e das luvinhas quentes, lembrei-me de vocês. Mas que disparate! Vocês estão sempre no meu coração, quentinho por tantos rostos que o povoam. O que eu quero dizer é que nesta quadra em especial, lembrei-me que já há muito tempo que não me lembrava de vos dizer o quão importante são. É verdade, o quão único e insubstituível cada um de vós é para milhares de cérebros desnorteados e corações indomáveis que passam pela Leal.

Agora sou estudante universitária, mas vou para sempre guardar uma criança dentro de mim. E, como sabem, as crianças têm saudades de casa. Com isto quero dizer-vos que separar-me de vocês e da minha querida Leal foi como deixar a minha casa. Não saí acorrentada (pelo menos por correntes de ferro). Deixei-vos, porque estava escrito no destino que, à partida, o secundário só dura três anos e aqueles que o concluem com sucesso, devem avançar, e que depois do secundário vem a faculdade, ou outro percurso similar, e que, de seguida, temos de ir trabalhar. Digamos que não saí acorrentada por correntes, saí, sim, acorrentada pelo destino. Não me interpretem mal, enfrento entusiasmada e com gosto todos e cada um dos novos desafios que vêm ao meu encontro. Mas, por mim, a vida era um eterno secundário convosco na Leal. Vocês são a minha casa, como eu nunca pensei que uma escola pudesse realmente vir a significar para mim e são uma casa que me puxou bem além da minha zona de conforto, que me fez acreditar, ter esperança, que me cultivou e me fez olhar para o mundo de modo muito mais colorido e repleto de magia. E, por isso, gostava mesmo que houvesse um contrato, onde se pudesse assinar que toda a vida seria uma Leal. É engraçado como, por vezes, temos de esperar quinze anos para chegarmos ao 10º ano e sentirmos a escola como uma casa que nos acolhe e nos ama.

No fundo, o que eu quero dizer é que vos adoro a todos. Estes três anos tornaram-me, de facto, uma Lealense. Penso muitas vezes em todos vós e quero que saibam como são especiais. Quero que saibam que todos contribuíram para uma frase que eu ando sempre por aí a dizer: “Tive, sem dúvida alguma e com toda a sinceridade, os melhores professores de secundário que podia ter pedido!”

Quero que saibam que, apesar de a vida ser este reflexo de uma estrela cadente, os professores marcam a diferença. Vocês, decerto, marcaram-na. E é de pessoas assim, de profissionais tão competentes e humanos que o mundo precisa.

Uma aluna do secundário,
Mariana Carvalho

P.S.

Os sinos tocam lá fora.
E eu perdi a minha casa.
Dois passos cravados na neve,

Sob o lume da lareira acesa.
O vento chia contra a parede
Eu só queria a minha casa.

As portas das salas,
o corredor sem fim,
A biblioteca e os seus ilustres moradores,
Os conselhos dos sabedores.
Mas a minha casa não é mais para mim.

Cresci, uso gravata,
Saltos altos e camisa branca.
Tenho saudades, quero ser criança.
Lá ao fundo, a minha casa é esperança.

P.p.s. Vocês são uma das minhas casas.

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