Editorial de janeiro

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O ano de 2017 chegou não muito bem recebido pelo tempo que o concebeu e o fez nascer. A noite de 31 de dezembro de 2016 para 1 de janeiro de 2017 esteve muito fria e uma brisa cortante obrigou muitos festeiros do Novo Ano a voltar para o quentinho dos lençóis ou para o aconchego do sofá bastante mais depressa do que, inicialmente, tinham expectado. E os primeiríssimos dias do ano assim continuaram, emoldurados por um ténue nevoeiro e fustigados intervaladamente por chuvas suficientemente fortes para serem capazes de lavar os capôs de carros como o meu, parcos em idas ao Elefante Azul e outras estruturas afins.

Condições atmosféricas próprias da época. Nada a fazer, até porque, para aqueles que tiveram a sorte de poder ficar alguns dias em casa, no cantinho dos lençóis ou no aconchego do sofá, frente à lareira, a concretizar leituras constantemente adiadas e a ver filmes eternamente repetidos ou até a dormitar, nada melhor que este tempo que, por prodígio do bem-estar caseiro, ganha cheiro, cor e sabor a conforto e se torna em tempo instigador do sonho e da esperança.

Normalmente, é, em reconfortantes momentos caseiros como este, que nos dá para a utopia e tanto nos parece verosímil o regresso prometido e sonhado de D. Sebastião como as resoluções de Ano Novo continuamente recuperadas e adiadas assim que as rotinas habituais se instalam nas nossas vidas.

Porém, faz bem à alma acreditar que é este ano que vai acontecer, é desta que vai ser. É desta que não comeremos mais doces, para limpar o organismo dos açúcares ganhos com a ingestão, não isenta de culpa, de filhoses, sonhos, bolo-rei, arroz doce e outras doçarias natalícias e que recuperaremos a silhueta que tínhamos na fotografia tirada já nem sabemos bem quando; é desta que sairemos mais cedo do trabalho e que teremos tempo para desfrutar a família, os amigos e os magníficos pôr-do-sol que Portugal nos oferece; é desta que iremos arrumar os papéis e as roupas, que, miraculosamente, ganharam vida e andam espalhados pela casa; é desta que não adiaremos as consultas e os exames médicos; é desta que não nos atrasaremos na entrega dos testes, é desta ….., é desta ……

Não sei se é desta que faremos tudo isto. Há adiamentos que já se colaram à natureza humana. Fazem parte dela e a verdade é que, talvez, tudo tenha mais cor e sabor assim, na incompletude que alimenta (e)ternamente o sonho. Porém, tenho a certeza que, mais uma vez, desta vez, neste regresso ao trabalho para mais um período letivo, vamos fazer o nosso melhor para o Agrupamento, para as escolas e para os nossos alunos. Mesmo que não nos apeteça muito regressar; mesmo que alguns regressem ao estilo rezingão, mesmo que chova muito, mesmo que o frio seja cortante, mesmo que não cheguemos sequer a iniciar a limpeza ao açúcar ou a arrumação dos papéis e das roupas, mesmo que tenhamos consciência e receio das dificuldades que nos esperam, mesmo que ….

Vamos fazer o nosso melhor, tal como sempre fizemos e sempre faremos, pois a verdade é que não sabemos fazer nem ser de outra maneira.

Sejam bem-vindos.

 

Lucinda Santos

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