Os alunos que nos fazem voar

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Hoje é véspera de Natal. Entre as filhoses e os sonhos de alma e corpo, lembrei-me de escrever. Sei exatamente o que quero dizer e tenho de o dizer. Este texto é para o João Pedro e para todos os jovens como ele, pois, embora não haja muitos iguais, sabemos que os há com valores e competências afins que, de uma forma ou de outra, nos fazem voar.

De facto, o João não é um caso único, mas é especial. Aluno do 10º ano da Leal da Câmara, chegou com o mesmo entusiasmo que a Padre Alberto já lhe conhecia. Mesmo desorientado entre os espaços e as pessoas, rapidamente se integrou, na Rádio, no Clube de Latim, no de Jornalismo, no Marketing (porque a escola, como qualquer instituição também o deve ter). Enfim, até aqui nada que qualquer outro aluno não faça. O que o João tem e falta até a muitos de nós é o empreendedorismo, aquela qualidade de que tanto se fala e se diz dever fazer parte das competências a desenvolver nos alunos.

Fazer contactos com anunciantes, capitalizar verbas publicitárias, organizar concursos e promoções, feiras e vendas, ajustar com uma grande superfície, o JUMBO de Sintra, uma permuta publicitária com direito a 24 cabazes de bens essenciais são competências que a escola não desenvolve mas que o João, por vontade própria, desenvolveu. É graças a ele que uma boa vintena de famílias de alunos do Agrupamento tem um Natal melhor, pelo menos com o calor de um gesto amigo; é graças a ele que o Jornal Cem Letras publicou a sua edição comemorativa, já que foi ele quem compôs os textos e angariou os apoios publicitários. De nós, professores, basta-lhe a orientação no momento certo e o apoio para voar. E, assim, por vezes, nós também voamos com ele!

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A escola é uma instituição cujos resultados em termos de valor humano não são nunca mensuráveis pela pontuação dos rankings. Os resultados mais interessantes são aqueles que se encontram ocultos ao primeiro olhar. Como avaliar o conjunto de valores, competências de vida e de cidadania que a escola transmite ao longo dos ciclos de ensino?

Mas ainda nos falta ter uma escola claramente virada para o Saber Fazer, com preparação para a vida em tempo real – um saber Ser e Agir – uma competência interrelacional virada para a ecologia emocional do Eu e do Outro. Devíamos ser mais como o João Pedro. Mas alguma coisa fizemos bem, tanto a família como a escola. É aluno do Agrupamento desde o jardim de infância, como tantos que anonimamente se destacam e que aqui ficam omissos. Por isso, este texto é para eles e para todos os que, até hoje, de alguma forma, deram corpo à autonomia,  iniciativa e inventividade dos nossos jovens. Queremos uma escola cada vez mais assim, com alunos que são capazes de nos levar aos limites, deixando-nos orgulhosos de saberem (mesmo sem nós) voar.

FESTAS FELIZES!

Ana Isabel Falé

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1 Comment

  1. Um santo e feliz natal para todos e o meu muito obrigado pelo apoio que estão a dar ao meu filho lindo.
    Beijinhos,
    Alice Costa

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