A Leal vista pelo Sr. Palmeira

portaoPor ocasião dos 30 anos da Leal pedimos a vários membros da comunidade escolar e educativa que se pronunciassem sobre a escola.

Este é o depoimento do Sr. Palmeira da Portaria.

Cada um de nós traz dentro de si a representação do que é uma escola, por conta das experiências que vivenciamos neste universo.

É na escola que os acontecimentos de maior importância surgem em nossas vidas. Inevitavelmente, ela deixa de ser apenas um campo de troca de conhecimentos e adentra uma esfera emocional, onde se permeiam outros tipos de trocas, principalmente as afetivas.

 Digo isso com referência às relações que nela se estabelecem, pois na escola acontecem as primeiras relações fora da família e, nesse processo que marca uma “segunda sociabilidade”, alguns conflitos por vezes emergem. Estes afloram, principalmente, quando o adolescente percebe que deixa de ser único e começa a se ver como parte de uma situação coletiva, a conviver entre iguais e diferentes.  A atenção exclusiva que antes era só do adolescente passa a ser pulverizada em média com outros trinta alunos na sala de aula e se isso, por um lado, é dececionante, também, por outro, contribui para o amadurecimento emocional do jovem. Nesse sentido, o ambiente escolar deixa de ser mero espaço de aprendizagem formal e torna-se palco de frustrações, realizações, encontros, disputas, competitividade e dificuldades de relações interpessoais.  Pode-se afirmar que a escola é o segundo ambiente mais importante na vida social de um ser humano.

 Penso que a melhor forma de educar é levar o conhecimento de mãos dadas com o afeto, como me sugere o que vejo no quotidiano. Os adolescentes conseguem ter um melhor rendimento quando são olhados com carinho, respeito e sabem que alguém se importa realmente com eles, seja em casa ou na escola.  De certa forma, tentamos (assistentes operacionais) ajudar os professores nesse sentido, para que possam, na medida do possível, fazer uma leitura do que os adolescentes estão lhe trazendo. Muitas vezes, é no professor e no assistente operacional que os adolescentes depositam amor, raivas e angústias que estão vivendo no seio familiar. Os professores e assistentes operacionais acabam sendo recetores de algo que, à primeira vista, nada tem que ver com o seu papel na escola.

Sem que se faça um juízo de valor dessa situação, verifica-se, atualmente, que alguns pais delegam à escola muitas outras funções: a de educar, transmitir valores, autoridade, respeito, limites. Pode dizer-se que alguns pais se esquivam de responsabilidades que originalmente seriam deles.

Precisamos unir-nos nesta ‘’empreitada’’, para que possamos mostrar aos ‘’nossos’’ adolescentes que a escola é algo “sagrado”, pois é nela que podemos edificar o conhecimento e novas perspetivas de vidas.

Na Escola Leal da Câmara, local em que desenvolvemos parte de nosso trabalho, há muita pulsão de vida, há profissionais empenhados em dar o melhor de si aos alunos. Aqui, as portas estão sempre abertas aos pais e também aos plantadores de sementes esperançosos na difícil missão de educar.  É aqui que acompanho o lançar de sementes novas, a cada dia, para que floresça um amanhã melhor. Estas sementes simbolizam a educação na sua forma mais genuína: esperança na construção de novos cidadãos. Este objetivo só será possível com a valorização dos pais, da escola, dos professores e dos assistentes operacionais; todos fazendo sua parte com o objetivo em comum: o de um futuro melhor e digno para os nossos alunos.

 

José Palmeira

(Assistente Operacional)

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