Entrevista: o Clube Manga dinamizado na BE

MANGA é uma das palavras de origem nipônica que cada vez mais se utiliza no nosso quotidiano a par de “sushi”, “origami” e “sashimi”. A palavra é o resultado da união dos ideogramas MAN (humor) e GÁ (grafismo), sendo a sua tradução literal para o português “caricatura” e “desenho engraçado”.

A primeira pessoa a utilizar a palavra MANGA foi o artista Katsushita Hokusai, que entre 1814 e 1849, produziu um conjunto de obras em 15 volumes retratando cenas do dia a dia que o rodeava. Estas caricaturas de época receberam o nome de HOKUSAI MANGA e representam os primeiros passos das histórias em quadrinhos no Japão.

Assim, entende-se hoje por MANGA “histórias em quadrinhos e desenhos animados feitos no estilo e na linguagem desenvolvida pelos japoneses”. É o resultado de um processo histórico e cultural iniciado há quase dois séculos! Registe-ser que atualmente o Japão é o maior produtor e consumidor de quadrinhos e desenhos animados no mundo, influenciando autores em vários países. Trata-se de uma atividade multibilionária na área de comunicações que origina lucros decorrentes do licenciamento de uma infinidade de produtos, como brinquedos e videojogos.

Considerando o êxito que esta vertente da cultura nipónica teve na escola, o 100Letras entrevistou a Coordenadora da BE, responsável pelo clube, a Profª Liliana Silva.

100Letras – Antes de mais, parabéns pela iniciativa! Gostávamos de saber como surgiu o Clube Manga e a que se deve o interesse dos jovens por esta área. 

Prof.ª Liliana Silva – A ideia do Clube de Ilustração Manga e Cultura Pop Japonesa surgiu no final do ano letivo 2012/2013: um aluno, o Luís Basto (11.º C6) e, depois, o Luís Cerqueira (3P2) vieram à biblioteca falar comigo dizendo que a ilustração manga passou a ser uma das áreas de formação que a Biblioteca Escolar deveria desenvolver. Afirmei que desconhecia esse tipo de ilustração e mostraram-me imediatamente a página online da Rede de Bibliotecas Escolares, que divulgava a notícia de uma parceria nessa área da qual resultava a Manga como oferta formativa da Biblioteca. Tive de me render aos pedidos dos alunos que, entretanto, foram aumentando e, no final desse mesmo ano letivo, realizou-se o I Festival Manga em Sintra.

100Letras – E como surgiu a ideia de um curso de língua japonesa?

Prof.ª Liliana Silva – Foi no contexto das reuniões do Clube, às quartas-feiras, entre as 13:30 e as 15:00 horas, que surgiu a ideia de dinamizar um curso livre de japonês. Em setembro de 2015 fui à escola de línguas LanguageCraft e em reunião com o seu diretor, Dr. Pedro Almeida, projetamos uma forma de funcionamento deste curso. Teve início em outubro de 2015 e terminou a 11 de março de 2016, com um total de 30 horas de conteúdos. A professora nativa responsável foi a professora Hisako. Todo o curso – um semestre – foi lecionado no auditório da ESLC. No dia 22 de abril os alunos fizeram o exame oficial – a todos os que foram aprovados será passado um certificado oficial. Aos dois melhores alunos foi mesmo oferecido um bilhete para o Iberanime com direito a levarem um acompanhante.

100Letras – Quando foi feita a divulgação do curso, de que modo é que a iniciativa foi acolhida?

Prof.ª Liliana Silva – Este curso teve 40 alunos matriculados e custou 50 euros a cada aluno, valor muito aquém dos preços praticados no mercado. Atendendo a que o curso só foi divulgado na biblioteca – não foi lida qualquer circular interna, nem foi dada informação aos diretores de turma – acho que foi muito bem acolhido. Muito mais alunos gostariam de participar, caso o seu horário fosse compatível com o do curso.

100Letras – Pode dizer-nos qual é o alcance desta oferta formativa para o futuro dos jovens?

Prof.ª Liliana Silva – Este público-alvo da ilustração manga e da língua japonesa é fruto do mundo global em que vivemos e que a internet propiciou. É uma alternativa à cultura ocidental e americana e veio para ficar, mas, como sempre, a oferta formativa oficial do Ministério de Educação não se adapta à velocidade da realidade dos nossos alunos. A Escola tem de estar atenta e ir mais à frente. 

100Letras – É inevitável perguntar: as aulas vão ter continuidade?

Prof.ª Liliana Silva – Caso a Direção do Agrupamento veja interesse em que o curso tenha continuidade, a LanguageCraft está disponível para mantê-lo na Escola porque, conforme me informou, ficou muito satisfeita com todo o processo. Para terminarmos em festa esta parceria, iremos realizar, no dia 27 de maio, das 9 às 23 horas, um Festival gratuito (só o jantar japonês é que é pago) aberto a todos os alunos e professores dos concelhos de Sintra e de Cascais cujo cartaz e programa está divulgado em http://bibliotecapan.wix.com/festival e em https://www.facebook.com/events/1106536612702023 Não quer participar? Para o efeito deve inscrever-se na biblioteca até ao dia 25 de maio. Contamos consigo!

100Letras – É um convite aliciante, já próximo do final do ano letivo. Ficamos com muita curiosidade de saber mais sobre o assunto. Já que interessa aos nossos jovens, é um sinal das tendências do futuro que é, cada vez mais, globalizante… O conhecimento que propomos aos nossos alunos é ainda aquele que há muitos anos se julgou dever fazer parte dos currículos. Mas há um currículo paralelo que é preciso seguir e esse é ditado pelos nossos jovens. Muito obrigada pela entrevista e pelo espaço de inovação criado na nossa escola.

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