Foca-te

Respira…Foca-te. Não te esqueças de ti.

Mona_Lisa_com_estrutura_geométrica_-_Divisão_áurea

Visto que não consigo calar os pensamentos e finalmente adormecer, porque não escrevê-los?
Porque não falar da morte?
Porque não falar do medo?
Porque não falar de ódio? Ou de inseguranças? Ou de uma má noite?
Porque não manter a nossa humanidade ligada, e aceitá-la na sua plenitude, com tudo o que acarreta? Faz-nos sentir fracos? Tristes? Deprimidos?
As nossas fraquezas, as nossas tristezas e depressões são o que nos faz quem somos, são a nossa humanidade!
Porque não deixar de fingir não sentir? Quando sentir é o que nos torna humanos, é o que nos faz viver.
Porque não, sentir? Porque não deixar de andar pela vida? Porque não começar a vivê-la? Porque não agora? Neste segundo, larga isto, larga o que quer que seja que estejas a fazer e vive. Dá-te ao trabalho de parar e ouvir a tua respiração, acalma-te…, inspira…, expira…, inspira…, estás vivo…, expira…, respiras, estás vivo…, inspira…, concentra-te nisto e continua… entre inspirações e expirações. Foca-te na tua existência biológica, só nesta, esquece quem tu és, esquece quem querem que sejas, esquece o porquê da tua existência, dá-te ao luxo de esquecer, todos nós conseguimos, portanto, por uns minutos… esquece…

Foca-te na tua animalidade, tal como respiras, tu comes, tu dormes, tu vives, és um ser, um animal, mas há uma diferença, (inspira…, não te esqueças), foi-te concedido o poder de sentir…, sensações…, como são tão importantes e únicas. O quão bom é apenas acordar e ao abrir a janela sentir a brisa da primavera, enquanto te apercebes que te foi dado mais um dia, uma nova oportunidade de experienciar ainda mais, (expira…).

Foca-te na primavera, na natureza, quão bela é a natureza e a sua capacidade de espelhar as nossas emoções.
Que sensação incrível é passear pelo teu jardim favorito com a tua família, como aquele ou aqueles que te amam.
Quão incrível é acordar com o ataque de cócegas do teu pai ou os beijos carinhosos da tua mãe.
Quão incrível é a tua mãe. O seu toque, a sua presença, a sua calma e paciência, a sua mão, o seu beijo, o seu colo, o seu abraço e conforto. Que sensação incrível é ser filha, que sensação… ter mãe…
Que incrível que tu és, Mãe! – (inspira…).
A primavera está a terminar e tu continuas aqui, a respirar, continuas a estar vivo, continuas presente de corpo e alma, continuas a, simplesmente, existir. Quão bom é existir, imagina viver.
É verão, e continuas aqui.

Tantas pessoas já passaram pela tua vida por este tempo, muitos já partiram, deixaram-te sem qualquer explicação. Que sensação é perder quem amas.
Mas que sensação ainda mais incrível, perceber que isto só acontece devido à existência do amor, mas principalmente pelo teu amor, aquele que tens pelos outros.
Os outros fazem-nos humanos, os outros são um bom motivo para manter ligada a humanidade. Ama. Sem medo da perda, porque se não o fizeres… perderás sempre.

Que sensação é perder, sem a derrota não valorizaríamos a vitória, isso é certo. O que importa não é ganhar, nem sequer participar, o que importa são as pessoas, que ganham e perdem contigo, porque a ti, enquanto pessoa, já te ganharam. Nenhum prémio vale mais que tu, nenhum prémio vale mais que os outros, ou vale mais que eles.
O pior já passou, o verão já vai a meio, (expira…), nem deste por ele, as coisas boas fazem-nos perder a noção do tempo, é facto.

Por esta altura, já sabes quem são eles, quem são os outros, mantém-nos perto e dá valor, não penses que há melhor, porque não há, não penses que precisas de mais e melhor, porque não precisas.  Que sensação é ignorar a gramática, porque afinal de contas a escrita não é suposto fazer sentido.

Foca-te na escrita… foca-te na arte. Sustem a respiração por uns segundos e volta às inspirações e expirações, aí tens, mais uma sensação. Esta que se enquadra tão bem à arte, a arte é isso, é tudo aquilo que nos faz suster a respiração, é a única “coisa” que é digna o suficiente para que pares de respirar.

Que sensação incrível, ver, sentir, descobrir arte, mas acima de tudo, ser arte. Todos somos arte, sim todos. Arte é tudo aquilo que amas ou já amaste, arte é aquilo que te faz chorar e rir às gargalhadas, arte é sensação, arte é emoção, arte é descoberta, é dor, é sofrimento e amor, é beleza pura.

Há pessoas que são uma obra de arte e não pelo seu aspeto físico, não por serem bonitas: Monalisa é arte e não é bela – é sincera e honesta.
Arte é humanidade.

Por esta altura, já consegues respirar sem bomba e caminhar sem apoio, mas prepara-te: o inverno está a chegar e com ele os dias cinzentos que te fazem chorar.
Tu nunca precisaste de ajuda, foste sempre respirando, tu consegues, acredita em ti, foca-te em ti.
Porque tal como o verão (com os outros a valorizar a frieza do mar e das ondas a rebentar e a sensação que é olhar a sua imensidão) o Inverno já quase que acabou.
Não te esqueças que dias cinzentos irá sempre haver, mesmo no verão. Não faz mal, estares mal. Não te esqueças de te focar.

Um dia acabarei isto, mais um sonho a concretizar. Já agora, não te esqueças de sonhar, sonhar tão alto que já nem as vertigens se consigam apoderar de ti. Porque nada nem ninguém é mais forte que tu quando sonhas. Não te esqueças de respirar. Não te esqueças de existir, não te esqueças de ser.

Arte é humanidade.

Ana Margarida

10º C4

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