O ranking das escolas

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Não nos traz novidade alguma o novo ranking das escolas portuguesas, que pode ser visto AQUI. Umas escolas descem, outras sobem, os colégios mantém-se nos lugares de podium, alguns muito abaixo das escolas públicas, e o ponto de referência continua a ser o resultado dos exames nacionais e nada mais.

Por curiosidade, assinale-se que a Escola Secundária Leal da Câmara se apresenta em 416.º lugar a nível nacional (entre 621 escolas e colégios) e em 5.º lugar no concelho de Sintra.  Relativamente ao 9.º ano, a Escola Básica, 2, 3 Padre Alberto Neto encontra-se em 572.º lugar a nível nacional (entre 1247 escolas e colégios) e em 8.º lugar nas escolas do concelho. Já no 6º ano, esta escola encontra-se em 950.º lugar nacional (entre 1155 escolas e colégios) e em 16.º no concelho de Sintra. Das escolas do 1º ciclo e entre 4411 escolas e colégios, a Básica nº 2 de Rio de Mouro está em 1531.º lugar nacional,  a Básica nº 2 da Rinchoa está em 3023.º lugar, a Básica nº 1 de Rio de Mouro está em 3130.º lugar e a Básica nº 2 da Serra das Minas em 4082.º lugar.

Várias personalidades da cultura e educação já têm vindo a pronunciar-se sobre o valor relativo deste tipo de análises, que só comprovam que os alunos tiveram melhores ou piores resultados nos exames e que os colégios continuam a sua campanha de marca com base nos mesmos. Sem qualquer pretensão de retirar ilações críticas dos resultados acima, apraz-nos verificar que estes posicionamentos nos colocam num nível intermédio, plenamente justificado pelo nosso trabalho e pelo contexto social da zona de Rio de Mouro. Recorde-se que a introdução de uma classificação de contextos por parte do MEC colocou a Secundária Leal da Câmara em contexto 3, Favorecida, a Padre Alberto Neto em contexto 2, o que é compreensível, e as Básicas sem qualquer menção, sendo de concluir que, na sua qualidade de básicas, recebam como a Padre Alberto Neto a classificação de contexto 2. Como se verifica, foi atribuído um contexto diferenciado para o básico e para o secundário, já que o MEC forneceu à parte os indicadores destes dois ciclos de estudos.

Na base desta classificação estão dados objetivos como a taxa de alunos no escalão A da Ação Social Escolar (ASE) e a média de anos de escolaridade dos pais. O procedimento para atribuição do contexto foi o seguinte:

— atribuição de um percentil a cada agrupamento no indicador da % de alunos no escalão A da ASE
— atribuição de um percentil a cada agrupamento no indicador educação média dos pais
— cálculo da média dos percentis nos dois indicadores
— atribuição de contextos: contexto 1 para as 33,3% dos agrupamentos com menores valores da média dos percentis; contexto 2 para os 33,3% agrupamentos seguintes, e contexto 3 para os 33,3% agrupamentos com valores mais elevados na média dos percentis.

Deste procedimento resultaram 161 agrupamentos em cada contexto no secundário, com as características presentes na tabela seguinte.

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Conforme já avançavam os jornalistas Joaquim Azevedo e Conceição Portela, na edição do Público de 29/11/2014, esta atribuição padece de limitações, a primeira das quais consiste no facto de o contexto ser do agrupamento de escolas e não da escola (facto mais problemático no básico, já que os alunos de um agrupamento que frequentam o ensino básico são em maior número do que aqueles que frequentam o 3º ciclo e fizeram exames nacionais). A segunda limitação diz respeito ao facto de os dados de contexto estarem desfasados um ano dos dados relativos aos resultados em exames.

Seja por uma razão ou por outra, a classificação de Contexto 3 e 2, relativa às escolas do nosso Agrupamento, inserido numa zona de Território de Intervenção Prioritária, e com a população escolar que tão bem conhecemos, sendo justa, parece ainda algo distante da realidade, e sempre o será, comprovando-se que os números, no que diz respeito a estatísticas, são meros indicadores, não são verdades absolutas.  O problema não são os Rankings, diz-nos Maria de Lurdes Rodrigues, no jornal Público da semana passada, mas o mau aproveitamento que deles se faz. Acrescenta ainda que importa saber se, ao longo de quinze anos deste tipo de seriações, a sua publicação terá contribuído para a melhoria dos resultados escolares ou para a qualidade do que se aprende.

De resto, se olharmos para a taxa de abandono de Portugal (17.4%) face a países como a Polónia (5.4%) e face à União Europeia (11.1%), dados de 2014, fácil será concluir que algumas escolas já apresentam os seus próprios picos de excelência, quando conseguem prevenir, controlar e impedir o abandono escolar, por exemplo, ou quando reforçam a conclusão de estudos, mesmo para a população adulta, sem se descomprometerem com uma comunidade educativa que merece as melhores oportunidades de formação, face ao mundo do trabalho.

Por isso, e pela ausência de dados de outra natureza (comportamental, ambiental e cultural) falta muito a estes rankings para se constituírem como documentos de referência para as atividades de investigação da qualidade do ensino em Portugal.

Ana Isabel Falé

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