Crónica de uma ressurreição anunciada

Dezassete anos depois…

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No decorrer da nossa carreira vários desafios nos são colocados e são esses desafios que nos fazem crescer. A Leal era e continua a ser uma escola de desafios.

Há dezassete anos, o repto lançado, depois do desafio Unidades Capitalizáveis, foi a coordenação do Jornal 100 Letras.

A experiência jornalística era nula e rapidamente tivemos de aprender porque, nessa época, 4 edições anuais tinham de estar nas bancas: uma, que assinalava o início do ano letivo e por isso mais pequena – de apenas 8 páginas – e uma no final de cada período, já mais alargada, com 20 páginas.

Da equipa anterior recebemos as informações básicas de composição (ainda muito rudimentar, mas não menos trabalhosa!), com singelas folhas A3 e régua para calcular o espaço a conceder a cada notícia. Quais artesãos dedicados, era ver-nos de régua em punho a dividir as páginas em colunas, a dispor retângulos menores para situar os títulos, retângulos maiores para albergar o texto e quadrados, aqui e ali, marcando o espaço das fotografias. Desenhavam-se Z (à maneira de um Zorro destemido e perscrutante!) para representar o texto e escreviam-se números para identificar o corpo das notícias. O processamento de texto só consentia o formato Word e o número de palavras determinava os centímetros a reservar. Confuso? Difícil? Nada disso! Era hercúleo, isso sim! Mas foi com este esquema que o nosso primeiro 100 Letras veio a público!

A composição estava feita, porém a azáfama não acabara! Agora era tempo de levar tudo para a tipografia. Sim, TIPOGRAFIA porque o 100 Letras já era um jornal de vanguarda, com tiragem tipográfica e tudo! E nós, caloiras no jornalismo, não podíamos baixar o nível! Herdáramos um produto laureado: o 100 Letras tinha acabado de ser distinguido com um prémio pelo seu número dedicado à EXPO 98!

E, dizíamos, a azáfama continuava! Rumo a Sintra, nos saquinhos, levávamos os esquemas, as fotografias (as que estavam em suporte papel) e a mui nobre disquete com os vários textos bem identificados, para não haver gralhas!

Na tipografia, volvidos uns diáfanos dias, era feita a maquete que tínhamos de verificar antes de passar à impressão. E sim, agora era aguardar serena e pacientemente (seria possível?) a sua chegada à escola. Esses eram momentos de apreensão, ansiedade, curiosidade e por fim… o gáudio! O cheirinho que emanava dos pacotes era a nossa recompensa! Só faltava a distribuição, que era gratuita (por via dos patrocínios que tão simpaticamente regateávamos pela comunidade!) e para a qual contávamos com a ajuda dos Diretores de Turma. Ainda havia a entrega, em mão ou por correio, aos patrocinadores e às entidades parceiras da escola.

Havia um pequeno tempo de acalmia, de gozo da certeza do dever cumprido, mas era fugaz, como o é o tempo bom! Tínhamos logo de pensar na edição seguinte e as desusadas folhas A3, a régua o manual já não nos satisfaziam.

Pusemos os pés ao caminho para pedir orientação à tipografia. Tínhamos de saber como fazer uma edição mais técnica. Deram-nos indicação de um programa informático e as dicas fundamentais para o utilizar. E foi um adeus às benditas folhas A3 e às réguas, aos quadrados, aos retângulos, aos números! Era fantástico poder colar o texto diretamente nas colunas, poder mexer para a direita e para a esquerda, para cima e para baixo! Fantásticas eram também as capitulares que conferiam logo outro ar à coisa. De seguida, entravam as imagens e…, de repente, tínhamos o nosso artigo, lindo, pronto, como ia ser lido! Página a página, artigo a artigo, publicidade a publicidade, ia nascendo um novo número. Trabalho terminado, quase sempre no limite temporal; era tempo da entrega na tipografia, mas… onde guardar tanta e tão espaçosa informação? Uma disquete, duas disquetes, três… seis, sete! Que luta! E quando estas maravilhosas caixinhas resolviam não colaborar?! Era o caos! Era a angústia, a maldição! Regressar à base (que é como quem diz à Leal), fazer nova gravação. Desta vez já não haveria surpresas (desagradáveis!): gravação em triplicado. Três conjuntos de seis ou sete disquetes, todas numeradas para não haver problemas.

Nova corrida, nova viagem até Sintra, os habituais saquinhos na mão, lá fomos nós para a nossa primeira edição criada com a ajuda preciosa das TIC. Conseguíramos! Tínhamos uma edição totalmente tecnológica! Terá sido (e perdoem-nos a pretensão, a imodéstia!) o pontapé de saída para a renovada e atual era do 100 Letras!

Tudo isto, hoje, parece obsoleto. Para nós foi uma das grandes aventuras que veio acompanhada de dois preciosos brindes: os nossos filhos, que nasceram e viveram o primeiro ano ao ritmo das edições do 100 Letras.

Agora, o 100 Letras tem um novo fôlego. Parabéns pela iniciativa.

Cristina Rodrigues e Helena Cruz

 

 

 

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2 pensamentos sobre “Crónica de uma ressurreição anunciada

  1. Eu, a Bela Xavier e a Eugénia Barreiros também coordenámos o Jornal 100 Letras em época anterior à descrita. Corria o ano letivo de 1992-1993. Lembro-me perfeitamente. Tinha-me cabido em sorte uma turma de Iniciação ao Jornalismo, o que, inevitavelmente, me levou, também sem qualquer experiência anterior, à coordenação do Jornal 100 Letras. Apesar de inicialmente ter ficado muito aflita (a azáfama era tal e qual como foi descrita pela Cristina e pela Lena), depressa o Projeto me conquistou, tal como as minhas colegas de aventura me conquistaram, a Bela e a Eugénia. A Bela com o sentido de humor desconcertante que ainda hoje mantém e a Eugénia com a imensidão de conhecimentos que possuía. Foram tempos vividos com muito entusiasmo, muitas vezes noite fora, com idas aos frangos de permeio, num restaurante muito pequenino perto da estação de comboios de Rio de Mouro (creio que ainda existe). Curiosamente também a minha aventura jornalística aconteceu acompanhada de brinde, pois o meu filho mais novo nasceu precisamente no início de maio de 1993. Muito obrigada, Cristina e Lena. Foi muito bom regressar às raízes do 100 Letras.

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